Os impactos da desigualdade na distribuição das vacinas contra a Covid-19

Enviada em 08/10/2022

O romance filosófico “Utopia”- criado pelo escritor inglês Thomas More no século XVI- retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante à má distribuição vacinal. Dessa forma, entre os fatores relacionados a esse segmento, podem-se destacar a desigualdade social e a uma consequente baixa imunização.

Mormente, cabe analisar como a desigualdade está diretamente relacionada a distribuição vacinal. A Constituição federal de 1988 assegura a defesa dos direitos fundamentais dos indivíduos. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social devido a má distribuição das vacinas contra o coronavírus, no qual as pessoas mais pobres e de lugares menos acessíveis não possuem acesso a vacinação. Ademais, os países mais pobres, que apresentam baixos índices vacinais irão demorar um período maior de tempo para se recuperarem economicamente, implicando assim em diversos âmbitos sociais.

Por conseguinte, essa situação torna-se ainda mais alarmante pelo grande número de pessoas que ainda não receberam nenhuma dose da vacina. Segundo a filósofa francesa Simone de Beauvoir, o mais escandaloso dos escândalos é aquele que nós habitamos a ele. Sob essa perspectiva, mais escandalosa que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se acostumar com as desigualdades na distribuição de vacinas. Além disso, os indivíduos não imunizados acabam ficando reféns desse vírus e de suas variantes, o que coloca a saúde deles em risco. Logo, tudo isso contribui para a perpetuação desse quadro caótico.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar esse impasse. Para tanto, o governo federal- Poder Executivo no âmbito da União- deve criar uma campanha vacinal que priorize as pessoas que ainda não se vacinaram, levando doses a lugares menos acessíveis. Isso seria realizado por meio do Ministério da Saúde, a fim de salvar vidas e garantir a recuperação econômica pós-pandemia. Espera, com isso, concretizar a “Utopia” de More hodiernamente.