Os impactos da desigualdade na distribuição das vacinas contra a Covid-19

Enviada em 28/09/2022

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a desigualdade na distribuição das vacinas contra a COVID-19 acarretará impacto social e à saúde, principalmente, aos países de baixa renda. De certo, referido alerta, da organização intergovernamental, vem de encontro a combater a dura realidade de um cenário global, dentre eles, a desigualdade social, bem como o risco de surgimento de novas variantes.

Apesar do artigo 25, item 1, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, constar que todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe a si e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive, alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis. Isto é, embora o direito à saúde seja indissociável do direito à vida, que tem por inspiração o valor de igualdade entre as pessoas, somente 20% dos habitantes de países de renda baixa e média-baixa receberam a primeira dose da vacina contra a COVID-19, muito aquém dos 80% nos países de rendas alta e média-alta, conforme esclarece a Organização Mundial da Saúde (OMS). Por conseguinte, tal fato aumenta a parcela de populações mais vulneráveis e marginalizadas.

Somado a isso, o excesso de vacinas em alguns lugares e escassez em outros abre caminhos para novas variantes, como é o caso da que é batizada pela OMS, Ômicron. Nesse contexto, um dos patronos da filosofia Ocidental, Sócrates, afirmava, em síntese, que se alguém procura a saúde deve perguntar primeiro se está disposto a evitar no futuro as causas dela. Assim, é imprescindível um esforço coletivo internacional de compartilhamento de vacinas para gerar a vacinação para a população mundial, por consequência, evitar a discriminação.

Faz-se urgente, para enfrentamento da desigualdade social o acesso equitativo da saúde a todos os países. Para tanto, é mister que o Brasil, por meio do Ministério da Saúde, compartilhe vacinas excedentes com países vizinhos mais pobres e volte a tomar medidas preventivas de manter o uso de máscaras, restringir o acesso a aglomerações e exigir passaporte vacinal a viajantes. Nesse sentido, é possível distribuir as vacinas de modo igualitário em todos os países e promover a cooperação internacional, de forma a atender as recomendações da ONU.