Os impactos da desigualdade na distribuição das vacinas contra a Covid-19

Enviada em 25/09/2022

A fragilidade do sistema

O filme “O poço”, exibido na Netflix, retrata o cotidiano de uma prisão vertical com a comida sendo distribuída de cima para baixo. Ou seja: quem está na parte de cima tem acesso ao alimento, enquanto quem está embaixo precisa lutar pela sobrevivência. Fora da ficção, a sociedade brasileira vive as mesmas conotações no que refere aos impactos da desigualdade na distribuição de vacinas contra a Covid-19. Dessa perspectiva, percebe-se a configuração de um grave entrave, tanto em virtude da negligência governamental como da fraca mobilização social.

Em primeira análise, destaca-se a negligência governamental em adquirir vacinas. Segundo o portal G1, o governo Federal atrasou propositalmente a adesão da vacina indiana covaxim no ano de 2020. A mesma pesquisa cita o crescimento de óbitos em populações mais vulneráveis pela disseminação e mutação do vírus. Esse descaso estatal, do ponto de vista do pensador John Locke, configura-se como ruptura do contrato social, uma vez que a constituição federal de 1988, documento mais importante do país, estabelece o direito à saúde como dever do estado e esse direito é sequestrado do sujeito.

Ademais, vale ressaltar a fraca mobilização social em cobrar as mazelas sociais. Nessa conjuntura as diversas covas abertas no cemitério da cidade São Paulo-SP, em 2020, para a covid-19 é um exemplo da passividade da sociedade, visto que os principais jornais do país divulgaram o aumento da mortalidade em zonas periféricas e de maior carência econômica e não houve comoção populacional. Pela ótica do pensando Simmel, o corpo social frente a distribuição de vacinas adotou “atitude blasé”, essa indiferença proporcionou maior disseminação do vírus pela baixa imunização.

Portanto, para mitigar esses problemas, cabe ao Governo Federal criar politicas públicas que contemple os mais vulneráveis e amplie o acesso a imunizantes com objetivo de assegurar o direito a saúde. Concomitantemente criar campanhas de conscientização sobre a temática por meio de palestras e exposições em ambiente públicos e privados que visem despertar a população a respeito da importância da mobilização social. Dessa forma o filme “O poço” poderá ficar na ficção.