Os impactos da desigualdade na distribuição das vacinas contra a Covid-19
Enviada em 03/10/2022
Para construir uma sociedade justa é preciso considerar a premissa de Aristóteles que afirma a necessidade de tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade. Nesse viés, o tratamento desigual na distribuição de vacinas contra a COVID-19 tem se efetivado ampliando a desigualdade social já existente no mundo e facilitando o surgimento de novas cepas do vírus.
A princípio, deve-se considerar que o atraso na distribuição de vacinas também prejudica o avanço econômico dos países. De acordo com estimativa da “Economist Intelligence Unit”, divulgada em 2021, os atrasos na vacinação custarão 2,3 trilhões de dólares a economia global — e as nações emergentes arcarão com dois terços dessas perdas, a variante Ômicron, inclusive, já impacta a economia de vários países do sul da África, pois fez com que mais de 30 governos proibissem viagens para essas regiões. Assim, é notável o prejuízo em diversos setores sociais.
De outra parte, a vacinação se mostra uma ferramenta fundamental para desacelerar e até barrar grandes alterações no código genético do vírus. Esse fenômeno ocorreu com a varíola, que foi erradicada em 1980, graças à imunização em massa. Logo, a falta de acesso às vacinas mantém a circulação do vírus e fomenta o surgimento de novas variantes já que possibilita a existência de ambientes nos quais o vírus pode infectar diversos hospedeiros e, a partir disso, sofrer modificações em sua estrutura genética o que pode torná-lo mais letal ou pode reduzir a eficácia das vacinas já existentes.
Urge, portanto, que os consórcios globais de vacinas sejam mantidos. Nesse sentido, o governo federal brasileiro deve fortalecer as alianças internacionais em consórcios como o Covax Facility para ampliar a distribuição de vacinas nos territórios nacionais ou internacionais com baixo índice de vacinação, as alianças poderão ser fortalecidas a partir do fornecimento de espaço laboratorial para fabricação de vacina ou de mão-de-obra intelectual dos cientistas brasileiros. Isso poderá, enfim, considerar a equidade mundial.