Os impactos da desigualdade na distribuição das vacinas contra a Covid-19

Enviada em 13/10/2022

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu crí-ticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação.Não longe da ficção, percebe-se aspectos semelhantes que perpetuam ao longo da his-tória, no que tange à questão da desigualdade da distribuição de vacinas contra a COVID-19. Além disso, é preciso ressaltar, ainda, que a população carece de infor-mações sobre o assunto, o que gera um estranhamento em torno do tema.

A princípio, vale destacar o silenciamento como um complexo dificultador.Segun-do dados da fundação Getúlio Vargas, a taxa de investimentos no Brasil, somando setores público e privado, está no seu menor nível nos últimos 50 anos. Dessa ma-neira, é inegável que a deficiência na divulgação da necessidade de vacinação para a erradicação de novas transmissões de doenças, é fruto de negligência governa-mental.Dessa forma, o povo permanece ignorante perante o assunto,levando a fal-ta de debate entre as pessoas.O filósofo Foucault defende que,na sociedade pós-moderna,alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam manti-das.

Outro ponto relevante nessa temática é a insuficiência na regulamentação. O ar-tigo 6º da Constituição Federal de 1988 garante direito pleno a todo cidadão, como à saúde, educação, informação, dentre outros. No entanto, embora o país possua um sólido aparato legislativo,ele mantém-se restrito no plano teórico.Devido a de-sigualdade social, muitas regiões demasiadamente afastadas da cidade são excluí-das e esquecidas das campanhas de vacina.Acentuando então, o desconhecimento da enfermidade, novas contaminações, casos de mortes, complicações em proble-mas já existentes ou criação de novos, entre outros.

Torna imperativo, portanto, modificar a visão dos habitantes acerca das leis. Isso pode acontecer por meio de uma ação conjunta do Poder Judiciário e o Ministério da Educação e Cidadania, promovendo palestras abertas ao público em escolas com profissionais da saúde,falando sobre a necessidade das vacinações. Os órgãos públicos deverão ser acionados também para que seja realizado um debate sobre o processo de fiscalização das normas, a fim de que as novas gerações se tornem mais atuantes e entendam o propósito na resolução da desigualdade vacinal.