Os impactos da desigualdade na distribuição das vacinas contra a Covid-19
Enviada em 17/01/2023
A Declaração Universal dos Direitos Humanos reclama a igualdade de direitos entre todos os seres humanos. Entretanto, no mundo pós-pandemia, no qual os países tentam superar a crise econômica, não é o que acontece. Pois a desigualdade na distribuição das vacinas contra a Covid-19 traz impactos negativos para a economia global e problemas sociais, como a falta de acesso à educação por crianças e jovens.
Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), das 6,4 bilhões de doses administradas mundialmente, 75% foram destinadas a países ricos, em contraste com os de baixa renda, cujo utilizaram menos que 0,5% das vacinas produzidas. Desse modo, nos países desenvolvidos, a economia se recupera mais rápido da instabilidade da pandemia, enquanto que os subdesenvolvidos ainda precisam de grandes esforços, porque além de não terem grandes investimentos no setor econômico, não detém tecnologia para produzir suas próprias vacinas, como os desenvolvidos. Assim sendo, o impacto gerado pela má distribuição de imunizantes não afeta somente esses países, mas a economia global em si, que depende da movimentação econômica integrada de todos os países.
Outrossim, a desigualdade vacinal acarreta uma série de problemas sociais, dentre eles as barreiras para o acesso à educação, visto que algumas instituições de ensino exigem a vacinação de seus estudantes. Em virtude disso, as escolas brasileiras sofreram 35% de evasão escolar no ano de 2022 por não haver vacinas suficientes para os alunos, conforme dados do IBGE. Além disso, faculdades públicas exigiram em seus vestibulares a carteira de vacinação completa dos candidatos, e assim, cerca de 6 mil brasileiros não realizaram o vestibular USP 2022.
Em suma, a distribuição das vacinas não é equitativa no mundo e é um reflexo da desigualdade econômica entre países. Por isso, é necessário que haja incentivo à produção de imunizantes nos países de baixa renda, por meio de investimento financeiro e transferência de tecnologia por parte dos países ricos. Com o intuito de tornar a imunização contra a covid igualitária entre todas as nações e juntas, se reestruturar após a crise pandêmica de forma justa e humana e promover a paz.