Os impactos da desigualdade na distribuição de alimentos e a busca por soluções sustentáveis
Enviada em 22/08/2025
A obra “Vidas Secas” de Graciliano Ramos apresentou precisamente a cruel e dramática vida de retirantes nordestinos que, devido a seca, enfrentavam a fome e a miséria diariamente. Diante desse cenário, muitas pessoas passam por tramas semelhantes aos vivenciados pelas personagens do romance, de modo que, segundo dados da ONU, cerca de 732 milhões de pessoas estavam em situação de fome em 2022. Dessa forma, nota-se que mesmo que a produção de alimentos seja realizada em grande escala, a má distribuição e o desperdício impedem o acesso de milhões de indivíduos à comida.
Nessa perspectiva, é fundamental destacar a diferença entre a produção e o acesso à alimentos. À vista disso, o economista indiano Amartya Sen afirmou que a fome não ocorre por falta de alimentos, mas por falta de acesso. Assim, um país como o Brasil, intitulado “celeiro do mundo”, que, mesmo produzindo muito, ainda apresenta 3,4% de sua população em insegurança alimentar severa (dados da ONU), confirma o posicionamento exposto anteriormente. Desse modo, surge o questionameto sobre os verdadeiros beneficiados pela produção do agronegócio.
Ademais, vale salientar que existe um grande desperdício de alimentos, de forma a dificultar a chegada ao consumidor final. Diante disso, um relatório apresentado pela FAO, orgão subordinado da ONU, expôs que cerca de um terço de toda produção não chega ao consumidor final. Dessa maneira, quando os mercados, por exemplo, descartam alimentos devido a algum problema estético ou os restaurantes descartam grandes quantidades por questões logísticas ou legais, acabam por gerar um desperdício de produtos que poderiam muito bem serem consumidos, ilustrando a lógica de um sistema que privilegia o lucro em detrimento das necessidades humanas.
Portanto, o Ministério da Agricultura e Pecuária em conjunto com o Ministério dos Transportes devem investir na construção de infraestrutura necessária ao transporte de alimentos da “porteira para fora”, com a implantação de linhas ferroviarias que façam a ligação entre os centros produtores e consumidores de forma eficaz, com o intuito de minimizar a perda de alimentos. Assim, os brasileiros poderão usufruir de um privilégio que eles oferecem ao exterior.