Os impactos da desigualdade na distribuição de alimentos e a busca por soluções sustentáveis

Enviada em 29/08/2025

O curta-metragem “Ilha das Flores”, dirigida por Jorge Furtado, retrata a má distribuição alimentar, na qual os porcos têm maior escolha alimentícia que os próprios seres humanos. De forma semelhante, o Brasil enfrenta dificuldades na disposição igualitária dos alimentos. Nesse sentido, é necessário analisar como o desperdício gera nos indivíduos insegurança alimentar.

Diante desse cenário, o desperdício é um dos principais entraves para a solução da desigualdade alimentar. Isso ocorre porque desde o processo de produção, até a comercialização do alimento, ocorre grande perda de insumos que poderiam ser utilizados. Segundo a ONU, no Brasil 30% da produção é desperdiçada, o que equivale a 46 milhões de toneladas por ano, a maioria em boa qualidade e que poderia alimentar o equivalente a um milhão de pessoas. Sem uma mudança comportamental, grandes quantidades alimentares continuarão sendo desperdiçadas durante o processo, maximizando a insegurança alimentar.

Ademais, a insegurança alimentar é uma das consequências da má distribuição. Na autobiografia “Quarto de Despejo”, Maria Carolina de Jesus retrata a ausência de certeza em relação ao que seria consumido no dia seguinte, sentindo todos os dias uma aflição em não conseguir saber se iria ou não alimentar os filhos. De forma análoga, milhares de brasileiros enfrentam a mesma situação, na qual a falta de recursos nutricionais gera a incerteza da subsistência. Isso ocasiona doenças físicas, como anemia e desnutrição (pela deficiência de nutrientes), e mentais, como ansiedade (pela constante incerteza). Com a inércia governamental, essa condição de instabilidade alimentar se perpetuará.

Logo, faz-se necessária uma intervenção. Para isso o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, por ser o responsável por políticas de segurança alimentar, deve promover campanhas de conscientização sobre o desperdício alimentar. Isso deve ocorrer por meio de palestras em meios acadêmicos e midiáticos de forma contínua, com a participação de profissionais da economia doméstica. Tal ação deve ocorrer a fim de minimizar a situação nacional de insegurança alimentar, evitando que a situação de Maria Carolina de Jesus seja vivenciada por outros brasileiros.