Os impactos da desigualdade na distribuição de alimentos e a busca por soluções sustentáveis

Enviada em 24/08/2025

No Brasil, a concentração de terras nas mãos de poucos é algo com séculos de existência. Desde as capitanias hereditárias e sesmarias essa problemática se faz presente na realidade nacional, porém, o discurso hegemônico fundamentado na meritocracia com o intuito de ludibriar a população menos abastada é amplamente difundido, e mesmo com contradições evidentes, como a preferência do agronegócio para com a exportação de commodities ao invés da alimentação do seu próprio povo, ele ainda se perpetua. Tal contexto traz a necessidade de mudança, tanto para o pensamento da população, quanto para ações estatais.

Um fato histórico relevante que explícita o porquê desse cenário se manter dessa forma há tanto tempo é a tomada do poder executivo do Brasil em 1964. João Goulart, até então presidente do Brasil, que era favorável à reforma agrária e alinhado com os interesses da classe baixa, foi removido à força de seu cargo e obrigado a se refugiar no Uruguai. Esse exemplo expõe a posição de constante manutenção de privilégios dos grandes latifundiários e a necessidade de uma mobilização popular intensa, com o objetivo de instaurar um projeto para uma alimentação saudável, popular e acessível.

Além disso, um processo de exaltação do agronegócio é organicamente incentivado, até mesmo, pelos quais mais sofrem as consequências das ações dessa classe. Segundo o filósofo Karl Marx, “a ideia dominante de uma época é a ideia da classe dominante”, os mesmos indivíduos que são afetados pela piora da qualidade do ar e preços exorbitantes de alimentos básicos — ambos causados por ações da elite latifundiária — também são os que defendem essa elite com argumentos fundamentados na meritocracia e demais ramificações, como “trabalho duro” e “persistência e resiliência”.

Diante desse cenário, é dever da população se organizar com o objetivo de mudar a atual conjuntura, por meio de sindicatos, manifestações, a fim de requerer transformações práticas por parte do Governo, como a criação de um projeto no qual 10% do lucro da exportação de commodities seria destinado à distribuição de alimentos para populações carentes. Dessa forma, praticamente eliminando a fome do país, uma sociedade mais justa e sustentável seria construída.