Os impactos da desigualdade na distribuição de alimentos e a busca por soluções sustentáveis

Enviada em 05/11/2025

No livro “Formação do Brasil Contemporâneo”, o historiador Caio Prado Júnior faz uma crítica ao modelo colonial socioeconômico do país, esse padrão deixou a maior parte do tecido social à margem do desenvolvimento e sem a garantia de seus direitos básicos. De maneira análoga à obra, essa problemática ainda se faz presente no cenário atual, visto que os brasileiros sofrem com o desequilíbrio da partilha alimentar. Nesse sentido, é lícito confirmar a intensificação do entrave não só pela disparidade na distribuição de renda, mas também pela omissão estatal.

Diante desse cenário, é importante destacar, a príncipio, que a desigualdade social é um fator preponderante para a má distribuição de alimentos. Isso ocorre, pois, os indivíduos não possuem poder de compra suficiente para ter uma disponibilidade segura de mantimentos, em contrapartida, a camada social mais abastada pode consumir de modo a causar desperdício. Sob essa ótica, a população marginalizada se encontra em uma posição de insegurança alimentar advinda dessa disparidade, refletida no indicador de Gini, que qualifica o Brasil como um dos países com a maior concentração de renda no mundo. Logo, é necessária a ação do Poder Público para que haja uma distribuição justa.

Outrossim, é necessário salientar que a negligência governamental potencializa a desigualdade na distribuição alimentar. Consoante ao livro “Necropolítica” do sociólogo Archille Mbembe, o Estado possui o poder de decidir quem permanece vivo e quem deve morrer, essa escolha é feita com base nos privilégios oferecidos às classes sociais. A partir disso, pode-se notar o descaso em relação aos indivíduos que sofrem de carência alimentar, já que não há execução eficaz de políticas públicas que viabilizem a diminuição desse índice, como: o apoio à agricultura familiar e auxílios beneficitários.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas que solucionem a diferença na distribuição de alimentos no Brasil. Desse modo, o Ministério do Desenvolvimento, Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), deve criar projetos que unam a necessidade popular com a produtiva, por meio do incentivo à agricultura de subsistência, a sustentabilidade da produção, auxílio alimentício e a geração de empregos, a fim de proporcionar equidade para todos.