Os impactos da pandemia da Covid-19 no mercado turístico

Enviada em 03/09/2021

Em 2019, o então Ministro da Economia, Paulo Guedes, ironizou a ida de empregadas domésticas para os Estados Unidos, e sugeriu que isso representaria uma afronta àqueles que detinham mais recursos. No entanto, o infeliz advento da pandemia do novo coronavírus corroborou para não somente as funcionárias do lar deixassem de viajar, como também todos os demais trabalhadores, o que trouxe impactos irreversíveis ao mercado turístico. Ademais, deve-se abolir o obscurantismo negacionista, como também rever o panorama político extremista que produz flutuações na moeda local.

Nesse cenário, ainda que os prejuízos trazidos pela Covid-19 fossem inegociáveis, o retrocesso corroborado pelo negacionismo científico poderia ter sido evitado. Sob essa perspectiva, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atuava ativamente contra as vacinas, e, em contraposição, Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia, reagia quase que instantaneamente a qualquer caso de contaminação no tocante a medidas restritivas, o que fez com que sua nação reabrisse as fronteiras aos viajantes bem antes das demais. Destarte, salienta-se a importância de que a pauta regente do mercado turístico seja a da ciência, e não as ações politizadas isoladas de líderes político-econômicos.

Outrossim, instabilidades no cenário político refletem diretamente nas moedas internacionais e, consequentemente, no poder de consumo dos indivíduos. Nesse raciocínio, declarações feitas pelo então presidente Jair Bolsonaro, entremeadas pelo contexto pandêmico, criaram um cenário de instabilidade no país, o que culminou na desvalorização do real. Tal fato afugentou o turismo internacional, afinal, indivíduos das mais diversas nações optam por não se arriscarem diante de manifestações polarizadas nas ruas do país, como também cidadãos brasileiros postergam viagens internacionais por conta das maiores cotações de dólar da história, segundo dados do Banco Central. Em suma, o estresse político vivido pelo Brasil estremece internacionalmente o âmbito turístico.

Impende, pois, que o Poder Executivo brasileiro, juntamente com o Ministério do Turismo, crie condições favoráveis para o reparo da estabilidade do Brasil no cenário exterior, por meio de campanhas que ressaltem valores éticos adequados com a atual conjuntura global. Tais ações podem ser realizadas com o auxílio das mídias sociais e televisivas, com o estímulo ao uso de máscaras protetivas, à vacinação, bem como a imposição da entrada de estrangeiros somente com as doses completas de imunização. Dessarte, a finalidade de tais ações é de reiterar as medidas estipuladas pela ciência, como também promover a estabilidade política no que tange o tripé governo-economia-ciência.