Os impactos da pandemia da Covid-19 no mercado turístico
Enviada em 28/10/2021
Consoante a Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade, assim como um “corpo biológico”, é composta por partes que interagem mutuamente e cujo bom funcionamento é fulcral à saúde do todo. Seguindo a lógica durkheimiana, fica claro que os prejuízos ao turismo decorrentes da pandemia de covid-19, ao afligir um setor tão importante à economia de vários estados brasileiros — bem como de diversas outras regiões do globo —, ultraja a manutenção da coesão social. Em síntese, esse cenário é fruto da insciência popular acerca dessa temática, sendo, ainda, agravado pela desídia governamental na sua resolução.
Primordialmente, é profícuo destacar que a desinformação com relação à eficácia da vacinação contra o corona vírus que, por conseguinte, propicia a retomada do mercado turístico, intensifica esse revés. De certo, a secundarização da disseminação de informações sobre a utilidade dos métodos de prevenção contra essa doença atinge o setor turístico, uma vez que os turistas, receosos quanto à contaminação, podem optar por cancelar os seus planos de viagem. Nessa perspectiva, o filósofo Jünger Habermas ressalta a linguagem como meio de transformação dos aspectos socias do mundo. Assim, a educação da população a esse respeito representa um método eficaz à mitigação dessa problemática, que tem o potencial de solapar a economia de muitas nações.
Faz-se mister, ademais, salientar a imperícia estatal como impulsionadora do problema. Nesse sentido, o artigo 3 da Carta Magna de 1988 incumbe ao Estado o dever de atestar o desenvolvimento nacional. Conquanto, conforme uma pesquisa Datafolha, cerca de 30% dos brasileiros não confiam no poder público. Nesse viés, tais dados demonstram que as garantias legais não estão sendo efetivadas, fato que, ao se materializar sobre o setor turístico, acaba por corroborar o seu prejuízo e, junto dele, o de várias regiões do Brasil cujas economias são, em parte, movimentadas pelo turismo, como o Nordeste. Logo, o pragmatismo das leis mostra-se elementar à mitigação dessa mazela.
Frente a tal problemática, urge, pois, que o Ministério do Turismo destine parte do Orçamento Anual da nação à criação de uma linha de crédito às agências de viagens e aos trabalhadores autônomos que necessitam do fluxo turístico para sobreviver. Destarte, pode-se incitar uma retomada do setor, bem como garantir o sustento daqueles que dele dependem. Desse modo, suscita-se que a sociedade, a valer, funcione como o “corpo biológico” de Durkheim.