Os impactos da pandemia da Covid-19 no mercado turístico

Enviada em 08/11/2021

O turismo vinha crescendo nos últimos anos no Brasil. O turismo receptivo internacional ainda tímido frente às potencialidades do País, enquanto o turismo doméstico se consolidando a cada ano. Em 2019, o número de desembarques nacionais nos aeroportos brasileiros cresceu 1,72% em relação ao mesmo período de 2018. Foram 97,4 milhões de passageiros domésticos no ano passado, quase 2 milhões a mais que o registrado em 2018 (95,7 milhões). Desembarcaram também 11 milhões de passageiros provenientes de voos internacionais. Acrescenta-se que as atividades que compõe a cadeia turística geraram em 2019 mais de US$ 20 bilhões em impostos federais, crescimento de 8,05% quando comparado ao ano anterior, e que o saldo de contratos de trabalho nas atividades do turismo foi de mais de 36 mil empregos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério da Economia. Esses dados, ratificam a situação de crescimento em que o turismo se encontrava no Brasil até o ano de 2019. No entanto, com a chegada da pandemia, o turismo no Brasil e no mundo foi fortemente impactado, e não se tem ainda uma perspectiva de quando as atividades turísticas retornarão ao patamar em que se encontravam.

O setor sofreu perdas da ordem de US$ 2,8 bilhões apenas em março de 2020. Pelo menos 295.000 empregos diretos formais estão em risco. O primeiro impacto negativo do Covid-19 ocorreu no período de janeiro a fevereiro de 2020, quando as receitas internacionais do turismo no Brasil caíram -14,9%, US$ 1,2 bilhão. Os efeitos negativos se intensificaram em março de 2020, com a pandemia na Europa e América Latina, enquanto vários estados brasileiros impuseram restrições de quarentena resultando em cancelamentos de voos, reservas de hotéis e em navios de cruzeiro por turistas nacionais e estrangeiros. Na primeira quinzena de março de 2020, as receitas do setor de turismo do Brasil recuaram -16,7%, e -84% na segunda metade do mês, conforme estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Serviços e Turismo (CNC). As empresas do setor adotaram medidas drásticas para preservar sua saúde financeira, como as taxas médias de ocupação nos hotéis caíram abaixo de 10% em meados de março, redes de hotéis, resorts e parques temáticos suspenderam as operações por tempo indeterminado. Os membros do Fórum Brasileiro de Operadores Hoteleiros (FOHB), que reúne redes domésticas e estrangeiras de 650 hotéis no Brasil, encerraram suas operações na última semana de março. A CVC, maior agência de viagens do Brasil, cancelou todos os voos charter até o final de maio de 2020, cortou pela metade do horário de trabalho, cancelou novas contratações, suspendeu todas as iniciativas de marketing e adiou investimentos não essenciais.