Os impactos da pandemia da Covid-19 no mercado turístico
Enviada em 19/11/2021
Em seu célebre poema “No meio do caminho”, Carlos Drummond Andrade, escritor da Segunda fase do Modernismo, metaforiza os obstáculos da vida como sendo uma pedra intransponível. Transcendendo a literatura, pode-se comparar, também, essa rocha ao revés enfrentado pelo mercado turístico decorrente da atual pandemia do covid-19, o que configura um desafio a ser sanado no Brasil. Nessa lógica, faz-se necessário analisar não só a contribuição do isolamento social para essa problemática, como também as decisões tomadas pelo governo federal em relação a isso.
Em primeira análise, tendo em vista tal questão, é lícito pontuar a reclusão das pessoas em suas casas, o que diminuiu a demanda por viagens, fomentando a adversidade. Sob esse viés, uma pesquisa realizada pelo Sebrae destacou que o turismo foi o setor da economia mais afetado pela crise do coronavírus. Tais dados refletem uma realidade em que as pessoas foram privadas de viajar e as companhias, principalmente aéreas, precisaram interromper o fluxo de transportes, o que finda no aumento dos impactos associados ao turismo, como a estimativa de prejuízo de 12 bilhões para o Brasil, dado divulgado pelo atual ministro do turismo Marcelo Álvaro.
Paralelo a isso, a problemática em questão ainda é intensificada por decisões políticas que precisaram ser priorizadas pelo governo federal. Partindo dessa ótica, deve-se rememorar o pensamento do sociólogo John Rawls, o qual defende que o Estado eficiente deve atender às necessidades presentes na população. Nesse sentido, com o alarde causado pelo vírus supracitado, o Poder Executivo precisou estagnar o setor turístico - tido como propagador da doença e atividade não essencial - em virtude da urgência de controlar a disseminação do coronavírus e atender à imunização da coletividade. À luz disso, cabe ao Estado ser eficiente também na recuperação dessa esfera econômica, a qual tem imperiosa importância para a Pátria Amada.
Portanto, ficam evidentes os problemas enfrentados pelo mercado turístico nos dias atuais. Logo, para impulsionar a recuperação desse setor, o Ministério do Turismo - responsável pelas diretrizes de viagens em todo o Brasil - deve incentivar o mercado local, o que pode ser feito mediante propagandas e a conscientização da população acerca das belezas naturais presentes no território brasileiro, sendo que estas sejam preferência em planejamentos de viagens. Em adição, cabe ao Poder Executivo, como administrador dos interesse públicos, garantir que as empresas turísticas voltem ao funcionamento de forma segura e eficaz no fito de dar circulação para as rendas e promover sua recuperação. Feito isso, espera-se que essa pedra intransponível, termo aludido de Carlos Drummond, seja superada.