Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 12/05/2026
Na série Paradise, o mundo está acabando e, então, é construída uma nova cidade subterrânea gerenciada por um sistema de inteligência artificial. fora da ficção, pessoas enfrentam os impasses éticos e morais do uso dessa tecnologia. Nesse contexto, tal problemática é agravada pela desigualdade educacional digital e pela velocidade das respostas fornecidas por esse sistema, o que contribui para a formação de indivíduos menos dispostos a pensar de forma autônoma.
Nesse sentido, o desenvolvimento e a aplicação dessa ferramenta na sociedade evidencia a desigualdade educacional digital. Segundo o filósofo Pierry Lévy, a tecnologia amplia as formas de acesso ao conhecimento e transforma as relações sociais. Entretanto, pessoas que não nasceram na era da tecnologia enfrentam preconceitos de idadismo digital. Por exemplo, idosos que tentam utilizar aplicativos ou ferramentas de inteligência artificial recebem respostas impacientes de parentes mais jovens. Como consequência, enfraquecem-se as relações e torna-os dependentes dessa tecnologia, percebendo-a como uma obrigação moderna.
Além disso, a inteligência artificial é utilizada sem compreender seus limites éticos e morais, o que contribui para a formação de indivíduos incapazes de pensar por conta própria. Segundo o filósofo Gilles Lipovetsky, a sociedade contemporânea é marcada pelo imediatismo. Sob essa ótica, pessoas buscam respostas rápidas para seus problemas que vão do simples ao mais complexo. Por exemplo, um adolescente ao receber uma tarefa escolar, recorre à inteligência artificial para realizá-la em seu lugar. Como consequência, gera-se dependência tecnológica que compromete o desenvolvimento do pensamento crítico e autonomia intelectual.
Portanto, para dimunir os impasses éticos e morais decorrentes do uso da inteligência artificial, faz-se necessário que o Estado implemente políticas de alfabetização digital que democratizem o acesso às tecnologias e reduzam o idadismo tecnológico. Simultaneamente, instituições de ensino devem promover práticas pedagógicas que estimulem o pensamento crítico e a autonomia intelectual, evitando o imediatismo que caracteriza a sociedade contemporânea. Dessa forma, a IA poderá ser incorporada como ferramenta de emancipação e não como mecanismo de dependência ou exclusão.