Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 05/07/2026
No filme “Ela”, o protagonista desenvolve um relacionamento afetivo com uma plataforma de inteligência artificial, evidenciando como a tecnologia pode ultrapassar a função instrumental e influenciar profundamente o comportamento humano. De maneira análoga à história fictícia, a questão da rápida expansão da inteligência artificial, apesar dos benefícios proporcionados, enfrenta problemas em seu uso indiscriminado. Nesse sentido, é necessário analisar o posicionamento do Estado diante dessa realidade, além dos aspectos sociais.
Primeiramente, cabe pontuar que a inteligência artificial aprofunda a fragilidade das relações interpessoais. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade atual vivencia uma “Modernidade Líquida”, caracterizada pela superficialidade dos laços humanos e por conexões digitais voláteis. Nesse cenário, o avanço de ferramentas de IA capazes de manipular imagens e vídeos, com extremo realismo, agrava essa liquidez. Assim, conteúdos falsos são espalhados e moldam a opinião pública, sendo difícil distinguir o fato da simulação.
Ademais, a falta de uma regulamentação estatal efetiva sobre o uso dessa ferramenta perpetua a vulnerabilidade social dos cidadãos. Quando imagens são distorcidas e usadas, sem autorização, para produzir conteúdos maliciosos, o cidadão perde o seu direito de escolha. Sob a ótica do geógrafo Milton Santos, o Brasil abriga a “Cidadania Inoperante”, na qual os direitos garantidos por lei não se concretizam na prática devido à negligência do Estado. Consequentemente, essa omissão legitima o abuso tecnológico e transforma a internet em um terrítório sem regras, onde o poder de decisão do indivíduo é violado.
Portanto, medidas são urgentes para mitigar os impactos dessa problemática. Para isso, cabe ao Estado, por meio do Congresso Nacional, criar leis de regulamentação da IA, que fiscalizem e penalizem a criação de conteúdos simulados maliciosos, a fim de resguardar a autonomia cidadã e combater a manipulação. Ademais, o Ministério da Educação deve promover o letramento digital nas escolas, mediante oficinas de checagem de dados, para capacitar os jovens contra os abusos tecnológicos. Desse modo, o país superará a liquidez social de Bauman e garantirá a cidadania plena.