Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 15/10/2020

A revolução industrial, no século XVIII, possibilitou o avanço da tecnologia e da globalização. Contudo, os recursos tecnológicos podem ultrapassar os limites da liberdade dos indivíduos e ocasionar problemas éticos e morais. Dessa maneira, apesar da era tecnológica ter contribuído para o progresso da sociedade contemporânea, afetou as relações trabalhistas e a privacidade da população.

A priori, na quarta revolução industrial, denominada de Técnico-Científico-Informacional, observa-se mudanças nas atividades empresariais e no cotidiano da população, em que a conexão virtual é imprescindível para as novas relações de trabalho. Nesse sentido, segundo o Fórum Econômico Mundial, até 2021, cerca de 7 milhões de empregos podem ser extintos devido as transformações tecnológicas. Assim, a robotização será inserida nas diversas atividades como por exemplo: nas operações bancárias, de telemarketing e entregadores de produtos. Dessa forma, mesmo que seja necessária a presença do homem para operacionalizar as máquinas, a quantidade de agentes humanos será inferior, quando comparada ao número de máquinas para realização do mesmo serviço, o que resultará em desemprego e extinção de profissões. Logo, é fundamental a cuidadosa abordagem do uso das novas tecnologias, para que estas não impactem negativamente no bem estar social.              Outrossim, o filósofo Michel Foucault difundiu o conceito de panóptico (estrutura arquitetônica localizada no centro das cadeias para vigilância completa dos presos) para as instituições e indústrias do mundo contemporâneo, destacando o monitoramento constante da população com recursos de inteligência artificial. Portanto, ferramentas tecnológicas como a utilização de algorítmos, que identificam o comportamento do consumidor na internet, é um exemplo de vigilância e invasão de privacidade. Nesse contexto, o indivíduo ao navegar pela internet tem seus dados captados por empresas, que podem utilizar tais informação para o envio de anúncios específicos sem que o usuário tenha solicitado. Dessa maneira, é imprescindível que se ampliem as discussões a respeito do comprometimento ético ocasionado pela disseminação dos meios tecnológicos.

Sob esse prisma, o governo federal, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, deve promover a fiscalização do uso de tecnologias pelas empresas. Dessa forma, deve ser estabelecida uma legislação sobre o emprego tecnológico e a preservação dos valores éticos e morais. Á vista disso, deve ser incluída na lei a possibilidade de o usuário autorizar ou não a divulgação dos seus dados, além de ser obrigatório para as empresas divulgar como os dados adquiridos serão empregados. Com isso, será possível utilizar a inteligência artificial para o progresso da espécie humana e não para a sua alienação.