Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 15/10/2020
No filme estadunidense “Ela”, o protagonista desenvolve uma paixão pelo sistema operacional do seu computador, Samantha. Fora da ficção, a empresa Apple, criou algo semelhante ao retratado no romance, visivelmente apresentado nos seus produtos: a Siri. Essa espécie de robo digital cumpre a função de executar padrões definidos a partir de comando de voz, e auxilia o usuário a melhor usufruir das funções disponibilizadas pelos aparelhos. Paralelamente, a Inteligência Artificial é uma tecnologia recorrente em todo o mundo e trás vantagens como a citada anteriormente. Porém, questões éticas, e o questionamento de como será o futuro da humanidade a partir de ações determinadas por máquinas, são alguns dos fatores que necessitam ser analisados.
Em primeira perspectiva, é fundamental afirmar que a tecnologia é de extrema importância para auxiliar os seres humanos em diversas funções. O problema, se dá quando a máquina ultrapassa os níveis de inteligência do seu próprio criador. Sob essa óptica, o questionamento de como será a vida futuramente na terra a partir do domínio da IA necessita ser reiterado. É o caso do Hospital Albert Einstein - localizado em São Paulo, que possui um moderno sistema robotizado de informação e armazenamento de dados, que definem o diagnóstico do paciente. Ou seja, funções normalizadas como humanas, estão passando a perder espaço para a ML, que em inglês significa Machine Learning.
Sob outro viés, o filósofo contemporâneo alemão Friedrich Nietzsche, alegou em um de seus postulados, a doença do homem causada pela modernidade. Para ele, o homem em seu ser natural apresenta a comodidade de buscar novas descobertas, o que se acentuou com a chegada das máquinas. Nesse sentido, apostar na IA como uma alternativa de avanço, seria uma falha, visto que, não se sabe como a sociedade agirá em reposta a essa medida. Dentre as principais possibilidades, encontra-se o fim do conhecimento humano, destituído de senso crítico, contrastando com ideias criadas por máquinas.
Visando solucionar os fatos supracitados, é necessário antes de qualquer medida, a resolução dos impasses éticos e morais que assolam tal problemática. Para isso, o Ministério da Ciência e Tecnologia, em conjunto com o Ministério da Educação, deve apresentar um projeto de lei a ser entregue na Câmara dos Deputados. Nesse projeto, a utilização da IA, em locais cotidianos, cumpriria apenas a função de auxílio à resolução de atividades que de fato necessitem a sua utilização, como o caso do hospital citado anteriormente. Além disso, palestras nas escolas, voltadas para alunos do Ensino Médio deveriam ocorrer para tratar dos perigos da IA, quando utilizada erroneamente. Finalmente, espera-se que assim a população possa utilizar dos avanços tecnológicos de forma consciente.