Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 03/10/2020
Martin Heidegger, pensador alemão, alertou, em 1950, que o pensamento computacional tornar-se-ia uma forma prevalente de pensar. De fato, percebe-se, sobretudo, pelos avanços científicos relacionados ao mundo tecnológico. Nesse sentido, é de suma importância analisar os impasses éticos e morais do uso da Inteligência Artificial, um produto do contexto proposto por Heidegger. Desse modo, verificam-se como ferramentas que fomentam tal questão, não só um sistema educacional deficitário, mas também a falta de efetivação das garantias constitucionais.
A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação cultural, mediante tomada de consciência da importância da coletividade. No entanto, o homem pós-moderno não consegue enxergar o outro como parte integrante do todo- devido a falta de altruísmo nas relações interpessoais- e, consequentemente, tal comportamento torna-se um impasse para o uso ético da Inteligência Artificial, uma vez que pode ser utilizado em conflitos geopolíticos e, assim, ampliar o cenário de destruição, caso haja um enfretamento bélico, por exemplo. Dessa maneira, visualiza-se um sistema educacional deficitário, o qual não dialoga com as ideias freireana e, portanto, não consegue formar um corpo social diligente quanto à boa utilização das novas tecnologias.
Outrossim, a Constituição Federal explicita que é dever do Estado proporcionar um ambiente harmonioso. Entretanto, nota-se uma outra realidade: a falta de políticas públicas eficientes, com o fito de dirimir os impasses morais, na sociedade, para viabilizar o uso ético da Inteligência artificial, pela prevalência de uma rede de ensino que não estimula tal postura, como já foi supracitado. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do filósofo Henrique de Lima, o qual explicita que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, a dissonância entre a narrativa factual e a Carta Magna precisa ser solucionada.
Logo, é fundamental que o Poder Executivo realize uma reforma educacional- por meio do debate com o Ministério da Educação-, a fim de formar uma sociedade mais altruítsta no trato com o outro. Posto isto, é imprescindível que tal ação interventiva foque, principalmente, na pedagogia de Freire. Ademais, é necessário que as ONG (Organização Não Governamentais), aliadas à mídia, desenvolva campanhas publicitárias- por intermédio de depoimentos de cientistas- que expliquem a importância de o Estado criar políticas públicas, com o intuito de efetivas as garantias constitucionais. Dessa forma, resolver-se-ão os impasse técnicos e morais do uso da Inteligência Artificial e, por fim, ter-se-á uma boa relação com o pensamento computacional, previsto por Heidegger.