Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 04/10/2020
O documentário “O dilema das redes” - exibido pela plataforma de streaming Netflix - retrata os malefícios cotidianos gerados pelos constantes avanços tecnológicos da Quarta Revolução Industrial. Tais mudanças, marcadas pela ampla integração entre o mundo físico e digital, promovem a progressiva dependência da população em relação à tecnologia. Dessarte, paralelo ao contexto hodierno, é importante analisar os principais impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial (IA): a perda de autonomia do indivíduo e a desvalorização da atividade laboral humana.
A princípio, é imperativo pontuar que as escolhas pessoais são diretamente afetadas por influências externas. De maneira análoga, a acentuada exposição humana ao ciberespaço promove a seleção de algoritmos, isto é, ferramentas de software utilizadas como estratégia de facilitar ações virtuais em prol de algum objetivo, como a venda de determinado produto. Tal fenômeno patológico contradiz a lógica prevista pelo filósofo Immanuel Kant, em que esse afirma que a humanidade deve estar em ininterrupta busca pelo esclarecimento: estágio de saída dos homens da menoridade em direção à maioridade, em que suas decisões e atitudes são executadas sem tutelas alheias. Desse modo, evidencia-se que mecanismos da IA impactam negativamente na formação do intelecto.
Sob outro prisma, é válido averiguar que a inserção massiva da Inteligência Artificial no ambiente corporativo tem como consequência o descrédito da habilidade criativa e de produção dos indivíduos. Tal cenário é fruto da automatização do trabalho promovida pelas tecnologias atuais, gerando uma economia maior de dinheiro e de tempo para o empresariado. Segundo o economista Karl Marx, em seu conceito denominado “mais-valia relativa”, o valor do trabalho humano decresce em decorrência da aplicação de aparatos tecnológicos no processo produtivo. Logo, torna-se imprescindível a existência de políticas públicas efetivas para minimizar esse obstáculo socioeconômico.
Em síntese, a observação crítica dos fatos mencionados reflete a urgência de providências para mitigar a conjuntura exposta. Portanto, compete ao Ministério da Educação (MEC), mediante verbas governamentais, implementar uma disciplina específica voltada para o letramento digital nas instituições de ensino de base, por intermédio de aulas, debates e palestras, ministrados por profissionais da tecnologia e do setor pedagógico. Tal ação tem como finalidade instruir os cidadãos, desde cedo, acerca do uso sensato e crítico das mídias virtuais. Ademais, cabe ao Governo Federal, por meio de parcerias público-privadas, investir em projetos de qualificação da mão de obra em nível nacional, a partir do apoio de recursos e de espaço por empresas privadas, em troca de parcial isenção tributária. Assim, será possível diminuir , gradativamente, os empecilhos morais e éticos da IA.