Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 05/10/2020
Durante a Revolução Industrial, sediada na Inglaterra, as máquinas a vapor surgiram como alternativa às várias etapas do artesanato nos procedimentos de montagem. Desde então, o avanço das tecnologias não retardou, trazendo facilidades para o cotidiano. Em contraste às evoluções positivas, a ascensão da inteligência artificial tem encontrado barreiras éticas, as quais vão de encontro ao convívio salutar entre as máquinas e os homens. Dentre esses obstáculos, é possível listar o controle de dados seguido pela mecanização de postos de trabalho como alguns dos conflitos que devem ser avaliados. Inicialmente, é necessário listar o controle de dados desenvolvidos por algoritmos da inteligência artificial como um impasse ético no plano social. Tal lógica é comprovada ,uma vez que, em muitas situações, os internautas acessam dispositivos que recolhem suas informações a fim de fornecer para outras empresas de anúncios sem que, antes, exista a conscientização do indivíduo de que tal procedimento esta sendo feito. Nessa situação, além da vida particular do usuário está sendo corrompida, o direito à privacidade, supostamente garantido pela Constituição de 1988, também está sendo violado. Nas palavras de Zygmunt Bauman, essa realidade ocorre porque, na visão capitalista, o progresso é “se manter na corrida”. Ou seja, a inteligência artificial é utilizada predominantemente para materializar os lucros e grandes ambições mercadológicas em detrimento não só da violação da cidadania dos indivíduos como também dos códigos morais intrínsecos ao meio coletivo.
Ademais, é imperativo pontuar a conduta dos órgãos estatais, durante a inserção definitiva da tecnologia artificial no mercado de trabalho, como tangente à ética. Uma vez que, assim como afirmava o filósofo Thomas Hobbes, é função do Estado estabelecer o bem-estar social. No entanto, tal responsabilidade é violada, tendo em vista que grande parte da população que sobrevive da renda de subempregos - principais cargos mecanizados- não foi capacitada para operar em consonância com os avanços tecnológicos ou ,até mesmo, instruída acerca das novas exigências de um mercado computadorizado.
Portanto, algumas condutas estatais devem se adotadas para recuperar o convívio harmônico entre as máquinas e os brasileiros. De primeira, é necessário que o Ministério Público em conjunto com o Ministério da Ciência e da Tecnologia iniciem uma árdua fiscalização de sites e aplicativos para identificar indícios de manipulação de dados a fim de, com isso, alertar a população sobre quais dispositivos fazem essa função e penalizar os dispositivos que não notificam o controle de dados para o navegador. Dessa forma, a privacidade poderá ser respeitada. Ademais, o ensino público deverá incluir aulas acerca de ensino tecnológico voltado para a aplicação no mercado de trabalho.