Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 05/10/2020

Com o advento dos avanços tecnológicos, muitas discussões de caráter ético e moral são levantadas acerca de problemáticas sociais consequentes da dimensão atingida pela tecnologia - mesmo que, há muito tempo, a ficção mergulhe no assunto. Assim, aponta-se a importância do debate sobre os impasses dogmáticos que se confrontam com a ciência, como no uso de ferramentas a exemplo da Inteligência Artificial (IA) e o Aprendizado de Máquina.

Em primeira análise, ressalta-se, historicamente, a divisora de águas dos avanços na sociedade, a Revolução Industrial (com início no Séc. XVIII), alvo de análises críticas quanto as consequências humanitárias em sua época. Já em seu livro “A Quarta Revolução Industrial”, Klaus Martin Schwab caracteriza este século como o início da “era digital”, conceituando a mais recente das revoluções que atinge todas ciências e possui as “fábricas inteligentes”. Diante do nítido cenário de mudanças que, diariamente, perpassam o globo, setores a exemplo da Bioética discutem quais as implicâncias das inovações e quais seus limites no agir científico. Então, são a ética e a ciência campos muitas vezes conflitantes, mas que, vale ressaltar, este é um necessário diálogo para a vida em sociedade e enriquecimento de pontos de vista.

Além disso, dentre as principais consequências observadas, causa preocupação a eminente substituição da mão de obra humana pela mais eficaz, barata e (há controvérsias) confiável mão de obra da IA. Tal cenário é apresentado e discutido no documentário “The Future Of Work”, disponível no serviço de streaming HBO Go. Por outro lado, é encontrado um receio mais pontual de alguns especialistas: a máquina substituir o pensar humano. Acredita-se que a capacidade de realizar atividades da computação é superior à humana, e mesmo uma possível “criatividade” é perceptível na maneira que as redes neurais (sistemas que funcionam como uma rede de neurônios) cumprem suas tarefas. Mesmo necessitando de operação e manutenção, a proposta de autonomia das máquinas causa “incômodos” sobre os parâmetros das escolhas feitas - muito embora as populações que têm acesso aos avanços não demorem nada para acostumarem-se à nova comodidade.

Portanto, frente ao debate proposto quanto aos impasses éticos e morais do uso de ferramentas como a Inteligência Artificial, é imprescindivel, por parte dos especialistas envolvidos, o debate com os campos da Filosofia e Sociologia, através de veículos científicos e populares, a fim de construir posicionamentos humanitários pelo diálogo. Ademais, por parte dos governos e associações internacionais, é necessário avaliar os riscos de cada investimento na área, com o intuito de, com essas medidas, não sobrepor objetivos de progresso científico ao bem-estar social.