Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 01/11/2020

No documentário “Dilema das Redes”, exibido pela plataforma de “streamings” Netflix, ex funcionários de empresas de tecnologia destacam as implicações negativas do uso deliberado da inteligência artificial. Nesse âmbito, encontram-se questões primordiais no que tange o uso de IA para tomadas de decisões que demandam habilidades da inteligência humana, haja vista o meio de aprendizado problemáticos dos supercomputadores. Logo, faz-se necessário um acordo a nível mundial sobre os limites da aplicação da inteligência artificial por parte de instituições e Estados.

Em primeira análise, é importante ressaltar que a quarta revolução industrial originou o conceito e a utilização em larga escala da internet das coisas como ferramenta de “commoditie”. Entretanto, tal ferramenta simboliza o que pode ser o início de uma problemática era. A internet das coisas é responsável por coletar e armazenar informações sobre tudo e todos, e está presente em todos os dispositivos conectados à rede, dentro das residências e nas ruas, alimentando bases de dados com informações que refletem valores que, embora sofram constante reflexão e transformação no meio social, se consolidam como verdade para a inteligência artificial. Estas informações constituem a base de dados pela qual se baseia a aprendizagem de um supercomputador. Como explica a cientista do Departamento de Informática Aplicada da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), não existe base de dados neutra e, evidentemente, não há decisão tomada por máquina que não seja imbuída de viés humano e portanto, de preceitos discriminatórios.

Ademais, as consequências problemáticas do uso de sistemas autônomos já se mostram presentes. No ano de 2018, um modelo criado para auxiliar a segurança pública da cidade de Nova York na identificação de possíveis criminosos, revelou erros ao identificar como suspeitos indivíduos de determinada etnia. Engenheiros concluíram que a causa do erro foi a grande quantidade na base de dados do sistema, de criminosos de tal etnia. No Brasil, um concurso de beleza realizado em 2016, em que robôs escolhiam as mulheres mais bonitas, mostra um resultado estarrecedor: todas as finalistas eram brancas. Quando o computador pesquisa em seu banco de dados o ideal de beleza, entra em cena tudo que está de errado na humanidade.

Portanto, faz-se necessária a criação de uma regulamentação internacional, mediante discussão por entes governamentais internacionais, como a Organização das Nações unidas (ONU) e por países com pesquisas avançadas no ramo da inteligência artificial, a fim de prever e mitigar possíveis desastres sociais ocasionados pelo uso desta em atividades que demandam habilidades da inteligência humana.