Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 06/10/2020
Internet das coisas, impressão 3D, próteses super tecnológicas e inteligência artificial (IA), a humanidade está paulatinamente, entre medos e entusiasmos, conhecendo esses novos conceitos e as suas consequências. Na Antiguidade, Aristóteles definia as máquinas como extensões do corpo, as quais permitiriam trabalhar com mais eficiência, no entanto, observou-se, historicamente, a substituição do homem pela máquina, que somada ao crescimento da população e a má distribuição das riquezas representa uma impasse ético maiúsculo.
Se por um lado, é possível enumerar avanços significativos no bem-estar e na qualidade de vida proporcionados pelas novas tecnologias, como, por exemplo, a impagável alegria do maestro João Carlos Martins que pôde voltar a tocar piano graças a um par de luvas mecânicas. Por outro, não é possível negligenciar o fato de que a crescente automatização de diversos setores, está colocando em sério risco a segurança econômica mundial, instituições como o Fórum Mundial do Trabalho estimam que mais de 7 milhões de empregos deixarão de existir até o próximo ano.
Esse fenômeno já fora descrito por Engels, segundo o qual a mecanização teve como efeito criar uma massa de pessoas supérfluas e ociosas, que, porém, não participa nenhuma forma das riquezas geradas pela crescente produção, ao contrário, é jogada para a marginalização e criminalidade. Se essa prática viciosa não for corrigida, o uso da IA seria mais um avanço arbitrário sobre o trabalho humano, agora atingindo as classes criativas, preservadas nas primeiras fases do Capitalismo.
Portanto, é mister encontrar uma forma de repartir o bônus do progresso. Em vista disso, propõe-se a criação de uma salário básico universal a ser pago a cada pessoa ou família como um direito adquirido, a fonte desse recurso deve vir, justamente, dos impostos recolhidos das empresas de tecnologia. Isso só seria possível com a ação do Ministério da Economia e do Congresso Nacional, que com ele preservariam os meios de subsistência do cidadão em um cenário de escassez de emprego.