Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 27/11/2020

Segundo o Imperativo Categórico, preceito elaborado pelo filósofo Immanuel Kant, uma ação é virtuosa quando pode ser elevada à universalidade. Nesse quesito, faz-se imperioso o debate acerca do desenvolvimento de Inteligência Artificial (IA), estudo que, apesar da relevância no plano atual, pode originar diversas intempéries e, por isso, não pode ser universalizado. Entre elas, cita-se a facilitação de ações criminosas e a intensificação do fenômeno de “maquinização do trabalho”.

Em primeiro plano, cabe ressaltar que a IA, na medida em que promove avanços, gera riscos para a segurança da sociedade. Isso ocorre, pois, por tratar-se de uma tecnologia inédita e de baixa previsibilidade, a fiscalização e monitoramento sob aqueles que usufruem dela torna-se laborioso. Nessa lógica, a título de exemplo, está a ocorrência da Globalização que, embora tenha suscitado o avanço dos meios de comunicação e transporte, fomentou, por esses mesmos mecanismos, o crime organizado. Dessa mesma maneira,  as IA’s são capazes de potencializar armas e facilitar o acesso à dados, tornando-se possíveis estímulos para o aumento da criminalidade.

Em segundo plano, depreende-se que, nos últimos anos, foi possível observar uma tendência de substituição de trabalhadores humanos por máquinas em alguns setores. À luz disso, denota-se que, com a evolução de instrumentos que simulam capacidades humanas, esse fenômeno será intensificado. Tal situação é expressa no filme “AI- Inteligência Artificial”, o qual retrata uma comunidade em que andróides assumiram diversos trabalhos na sociedade. Nesse sentido, fora da ficção, entende-se que os índices de desemprego sofreriam um aumento acentuado, caso a “maquinização do trabalho” tivesse continuidade e, por esse motivo, haveria um decréscimo na qualidade de vida da população.

Em suma, faz-se necessário evitar os possíveis riscos supracitados. Para tanto, a ONU (Organização Mundial das Nações Unidas) deverá, por meio de uma conferência mundial, debater os possíveis danos causados pelo desenvolvimento de IA e definir os limites éticos para a realização dessas pesquisas. Tal medida ocorrerá com o fito de minimizar os danos que a Inteligência Artificial pode causar na sociedade.  Essa conferência deverá convidar todos os países que almejam usufruir ou produzir essa tecnologia. Desse modo, as consequências negativas do fenômeno, tais como as advindas da Globalização, poderão ser atenuadas.