Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 08/10/2020

O filósofo Sofocles afirma que nada grandioso entra na vida dos mortais sem uma maldição. A partir dessa perspectiva, no que se refere a inteligência artificial, essa premissa pode ser facilmente aplicada, haja vista os impasses éticos e morais dessa nova tecnologia. Dessa forma, é indispensável analisar tanto a manipulação das escolhas individuais quanto a exclusão sofrida por pessoas que não tem acesso aos produtos de última geração.

Mormente, é imprescindível ressaltar que o sistema de inteligência artificial tem o poder de controlar as preferências da sociedade. Nesse sentido, de acordo com o filme “Privacidade Hackeada” —dirigido pela Netflix— inúmeros políticos pagam empresas especializadas em psicologia e algoritmos para manipular os eleitores via websites a votarem, inconscientemente, nos estadistas. Ligado a esse fato, por causa da ineficiência de uma fiscalização que proteja os dados do usuário, é visível que o corpo social fica vulnerável a uma terrível forma de manipulação sobre as escolhas individuais. Sob tal ótica, enquanto o índice de importância for ínfimo, muitos humanos continuarão privados do poder mais importante: o da decisão.

Ademais, é importante salientar que a inteligência artificial provoca a exclusão social. Em paralelo a isso, de acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim,indivíduos os quais não se adequam aos padrões locais se tornam invisíveis por não se adequarem àquele grupo. Em analogia a tal tese, é notório que o vislumbre trazido pelas tecnologias promove uma aceitação maior a indivíduos que estão dentro dessa nova realidade. Por conseguinte,a desaprovação sofrida pelos excluídos causa uma necessidade de inserção nesse meio para obter a total felicidade.

Destarte, torna-se necessário uma ação externa para minimizar a antiética segregação. É míster portanto, quebrar a maldição prevista por Sófocles. Dessa forma, o Ministério da Ciência,Tecnologia e inovações—agente que muda a conjuntura social através das redes—deve, por meio de emendas, propor não somente o aumento das fiscalizações como também penas mais rígidas a violadores da lei de proteção de dados, com o objetivo de desmascarar a manipulação sofrida pelos brasileiros. Logo, a partir dessa medida a redução dos impasses éticos e morais trazidos revolução técnico-científica não será uma utopia.