Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 08/10/2020

A Revolução Técnico-Científico-Informacional possibilitou o avanço acelerado dos diversos meios de comunicação e tecnologia, destacando a inteligência artificial que teve um crescimento exponencialmente maior. Incontestavelmente, o desenvolvimento dos setores trouxe inúmeras contribuições para os humanos, criando tecnologias de extrema qualidade. Contudo, nota-se que a busca excessiva pelo lucro desprovida de barreiras ético-morais, além do descontrole dessas ferramentas, contribuem para um mundo capitalista de vigilância. Dito isto, é de extrema relevância a mobilização governamental, a fim de restabelecer o controle sobre a IA.

Em primeiro lugar, vale ressaltar o controle excessivo da população por parte das grandes cooperativas midiáticas do Vale do Silício. O surgimento de uma tecnologia de ponta nos últimos anos por essas empresas - como o Google, Instagram, Facebook e entre outras -, possibilitou a formação de “bolhas digitais” que criam uma espécie de portfólio individual, apresentando a eles apenas os conteúdos que os interessa. Similarmente, o documentário “O Dilema das Redes Sociais” trata justamente sobre a manipulação em massa consequente da ausência de restrições sobre o uso da IA. Assim, evidencia-se a presença do capitalismo vigilante, gerando lucro por meio dos dados pessoais: “Se você não está pagando pelo produto, é sinal que você é o produto” disse o Andrew Leis, jornalista estadounidense.

Por outro lado, é notório o descontrole sobre o desenvolvimento exponencial da inteligência artificial, ao criar um sistema que se modifique e aprimore por contra própria: “Os homens criam as ferramentas e as ferramentas recriam os homens”. Nesse sentido, é perceptível uma sociedade facilmente manipulada e alienada, que é controlada por um grupo de empresas multimilionárias livres de qualquer tipo de impasse.

Em suma, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC) deve agir visando a participação ética e moral no desenvolvimento artificial. A priori, é necessário, por meio de investimentos no setor, a contratação de profissionais especializados em programação, a fim de formarem um sistema de fiscalização, garantindo a segurança e privacidade dos dados individuais. Com isto, será possível romper com a bolha digital impregnada na sociedade e equilibrar o uso da inteligência artificial, contribuindo para um desenvolvimento sustentável.