Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 09/10/2020

A Revolução Industrial, ocorrida no Reino Unido no final do século XIX, é uma divisora da história e do progresso humano, marcada pela ascensão das máquinas na indústria e da contínua substituição de operários em campos de trabalho. No que concerne a sociedade contemporânea, observa-se um desenvolvimento exponencial da tecnologia iniciada no evento europeu, com a criação de inteligências artificiais autônomas e do uso indevido de dados da população para aprimoramento destas, que recebe o nome de algoritmo. Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária, cabe analisar como a falta de capacitação profissional e a exposição criminosa de dados da população serve para perpetuar os impasses éticos e morais do uso dessas tecnologias.

É importante ressaltar, em primeiro plano, como a defasagem do brasileiro no mercado tecnológico é fator agravante do problema. De acordo com um levantamento da OCDE, apenas 21% dos jovens brasileiros concluíram o ensino superior, dado que demonstra como a população no geral ainda está longe de estar plenamente capacitada. Análogo a isso, a desinformação nos meios digitais corrobora para que empresas usem os dados dessas pessoas de forma irregular, com o intuito de promover publicidade e produtos com base no conteúdo buscado por esses cidadãos.

Cabe mencionar, em segundo plano, de que forma essa exposição criminosa é prejudicial para a sociedade. A princípio, o uso de algoritmos baseados nos gostos dos internautas - como aqueles que mostram a oferta de algum produto previamente citado pelo usuário -, seria benéfico se não se expandisse para o contexto de notícias políticas, ou falsas informações sobre a sociedade como um todo, o que desinforma a população a longo prazo. Antagonicamente a ideia defendida pelo filósofo Hans Jonas, o brasileiro não reflete sobre a necessidade de agir com parcimônia diante do extremo poder transformador da tecnologia, a chamada “Ética da Responsabilidade”. Por conseguinte, a atuação do Estado na área é medida que se faz obrigatória.

Portanto, são necessários programas que visem contornar o problema. Dessa maneira, é imperiosa uma ação do MEC, que deve, por meio da criação de novas escolas técnicas e formação de professores capacitados, propiciar aos jovens a informação e o treinamento adequado para que os jovens adentrem no mercado de trabalho, com o fito de frear a defasagem do brasileiro no mercado de tecnologia. Além disso, o Ministério Público deve criar leis que busquem proteger os dados do cidadão na internet, para que companhias não usem indevidamente essas informações no desenvolvimento de tecnologias perigosas. Dessa forma, a sociedade estará capacitada para as máquinas e para a Revolução Industrial moderna.