Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 10/10/2020

A inteligência artificial já é uma realidade, e está muito presente no cotidiano. Aplicativos de trânsito, e-commerces, assistentes digitais de smartphones - como a “siri’’, entre outros, são exemplos dessa nova tecnologia no mundo atual. Por conseguinte, o uso da I.A vem cada vez mais sendo explorado e aplicado em diversos setores e indústrias. Entretanto, por mais que esta torne o dia a dia mais dinâmico e eficiente, tem-se a problemática da forma com que ela pode interferir ética e moralmente na sociedade. Desafios como o desemprego, e a privacidade de dados, são preocupações a serem discutidas para o advento dessa nova era digital.

Diante desse cenário, sabe-se que os algoritmos fazem o trabalho mais rápido, com menor custo, e com melhor desempenho e produtividade. Neste sentido, devido à rápida transição do mundo industrial para o mundo digital, a tendência é que nos próximos 20 anos, 45% dos empregos que existem hoje serão automatizados, segundo dados da FGV. Máquinas que estão migrando do trabalho físico para o trabalho cognitivo e estratégico, e que podem causar no futuro uma preocupante onda de desemprego e desigualdade social. Visto isso, as I.A’s podem, futuramente, por exemplo, substituir os motoristas num sistema de carro-autônomo. Países como Holanda e Cingapura já investem nesse projeto e se preparam para serem os pioneiros à receberem tal tecnologia.

Ademais, a inserção das I.A’s na vida das pessoas pode ser perigosa, no sentido de extrapolar os limites éticos e morais das mesmas: até que ponto dispositivos e máquinas estão livres para coletar dados alheios? Qual a fronteira estabelecida para que se conserve a privacidade de dados pessoais contra esses algoritmos? Um exemplo dessa problemática são os e-commerces: sites de vendas inteligentes, que estão intimamente ligados com o perfil do consumidor. Os resultados de uma busca nesses sites são baseados no comportamento online do indivíduo, no seu perfil , publicações que curte, tudo isso sendo analisado por um algoritmo que aprende seus gostos, customizando cada vez mais seu filtro de navegação. Visto isso, é visível e preocupante a quantidade de dados pessoais que essas máquinas têm acesso. O filme ‘’O Exterminador do futuro’’, por exemplo, trata de questões como o perigo do controle total de dados por parte das I.A’s, que por um processo de superinteligência, se tornam extremamente perigosas, buscando a destruição mundial.

Sendo assim, cabe ao Governo de cada país, exigir de empresas como o Facebook, Google - e outras controladoras de algoritmo- um filtro do que se pode coletar de dados, de forma que não desrespeite a privacidade do indivíduo, por meio de legislações, com o objetivo de ‘humanizar’ esses algoritmos. Para mais, cabe à população mundial, se reinventar, e acompanhar a evolução tecnológica, de modo que não percam seus empregos no futuro para máquinas inteligentes, através de incentivos governamentais, com objetivo de evitar uma grande parcela de mão de obra inativa futuramente, o que implicaria na redução do mercado consumidor.