Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 10/10/2020
A Revolução Industrial, ocorrida no Reino Unido no final do século XIX, é uma divisora da história e do progresso humano, marcada pela ascensão das máquinas na indústria e da substituição de operários em campos de trabalho. No que concerne à sociedade contemporânea, observa-se um desenvolvimento exponencial da tecnologia iniciada no evento europeu, com a criação de inteligências artificiais autônomas, e o uso indevido de dados da população para aprimoramento dessas, que recebem o nome de algoritmo. Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária, cabe analisar como a falta de capacitação profissional e a exposição criminosa de dados da população servem para perpetuar os impasses éticos e morais no uso dessas tecnologias.
É importante ressaltar, em primeiro plano, como a defasagem do brasileiro no mercado tecnológico é fator agravante do problema. De acordo com um levantamento da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), apenas 21% dos jovens brasileiros concluíram o ensino superior, dado que demonstra como a população no geral ainda está longe de estar plenamente capacitada. De forma análoga, a desinformação nos meios digitais corrobora para que empresas usem os dados dessas pessoas de forma irregular, com o intuito de promover publicidade e produtos com base no conteúdo buscado.
Cabe mencionar, em segundo plano, de que forma essa exposição criminosa é prejudicial para a sociedade. A princípio, o uso de algoritmos baseados nos gostos dos internautas - como aqueles que mostram a oferta de um produto que o usuário deseja - seriam benéficos se não se expandissem para o contexto de notícias políticas, ou falsas informações sobre a sociedade como um todo, que desinformam a população a longo prazo. Antagonicamente à ideia defendida pelo filósofo Hans Jonas, o brasileiro não reflete sobre o extremo poder transformador da tecnologia, a chamada “Ética da Responsabilidade”. Por conseguinte, a atuação do Estado é medida que se faz obrigatória.
Portanto, são necessários programas que visem contornar o problema. Dessa maneira, é imperiosa uma ação do Ministério da Educação, que deve, por meio da criação de escolas técnicas e formação de professores capacitados, propiciar aos jovens a informação e o treinamento adequado para que adentrem no mercado de trabalho, com o fito de frear a defasagem do brasileiro no cenário internacional. Além disso, o Ministério Público deve criar leis que busquem proteger os dados do cidadão na internet, de forma a evitar que companhias não os usem de forma indevida no desenvolvimento de tecnologias perigosas. Dessa forma, a sociedade estará preparada para as máquinas e para os algoritmos da Revolução Industrial moderna.