Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 10/10/2020

Na série da Netflix “Black Mirror”, em um dos episódios uma garota cria um robô para substituir seu namorado falecido, mas sofre pela máquina não ter sentimentos. Na sociedade hodierna, é debatido os limites éticos entre andróides e pessoas, como a questão vista na ficção. Assim, há impasses morais para incluir a Inteligência Artificial no mundo: o receio que ela substitua os humanos no trabalho, o que gera desemprego, e a possibilidade que ela possa se desenvolver muito e possa ser vista como um ser.

Diante da realidade supracitada, um entrave ético existente é que os robôs possam substituir os humanos nos trabalhos. Da mesma maneira, por exemplo, que ocorreu a substituição da mão de obra dos homens por máquinas na Primeira Revolução Industrial, teme-se que as inteligências artificiais sejam capazes de substituir pessoas em cargos que envolvam, também, o intelecto. Ademais, segundo a Fundação Getúlio Vargas, em vinte anos, a existência dos robôs inteligentes elevará o desemprego no Brasil. Logo, percebe-se que não seria moralmente correto haver milhões de indivíduos na pobreza porque há máquinas, sem sentimentos e necessidades básicas, nos seus postos. Portanto, nota-se que a possível substituição dos cidadãos por robôs, o que criaria desemprego em massa, é um impasse moral para a inclusão dessa tecnologia.

Outrossim, outro impedimento para a aceitação da Inteligência Artificial é a possibilidade que ela seja capaz de desenvolver sua capacidade intelectual ao ponto de ser considerada um ser, independente e com suas próprias ambições. Essa questão é vista no drama coreano “Você é humano?”, o qual o andróide Nam Shin cria personalidade própria e se apaixona, o que faz com que as pessoas passem a desenvolver afeto e empatia a ele. Em contraste, para Alan Turing, inventor do computador, as máquinas, por terem a capacidade de pensar, deveriam ser vistas como seres. O reconhecimento, portanto, de um robô como um ser o colocaria no mesmo grau de importância que um indivíduo, com mesmos direitos. Assim sendo, nota-se que um impasse moral para a inclusão das máquinas pensantes é que elas se desenvolvam e não estejam mais em uma situação de submissão ao homem, mas de equidade.

Dessarte, medidas devem ser tomadas para solucionar as questões morais entre robôs e seres humanos. Para tal, é papel do Legislativo, órgão que é responsável por criar regras, por meio de uma lei, a qual defina que inteligência artificial jamais deve substituir pessoas (e sim ajudá-las) e não deve se sobressair aos homens, acabe com o medo de que as máquinas gerem desempregos ou sejam vistas como iguais ao humano, para que possa ser incluída essa tecnologia na sociedade, a fim de que haja proveito correto do auxílio intelectual que as inteligências artificiais possam conceder no futuro.