Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 12/10/2020
A Terceira Revolução Industrial proporcionou, no fim do século XX, a transição da era industrial para a era digital, uma conjuntura que trouxe inúmeros impactos na vida do ser humano, principalmente em relação ao avanço da Inteligência Artificial. Desse modo, ao analisar a intensa presença das máquinas nas diversas áreas que constitui a sociedade, compreende-se a necessidade do ser humano basear o uso dessa tecnologia sobre a ética e a moral. No entanto, nota-se inúmeros impasse para aderir a esse comportamento. Isso se deve por uma sociedade que não adere a princípios de integridade, mas também pela presença do ensino tecnicista nas instituições escolares.
A princípio, conforme o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada com o “corpo biológico”, por ser assim como esse: composta por partes que interagem entre si. Sob esse prisma, percebe-se a dificuldade de debater sobre a ética e a moral do uso de Inteligência Artificial sem analisar a postura social, posto que tal interação impossibilita que os comportamentos sejam compreendidos de forma isolados. Desse modo, ao notar uma sociedade que negligencia os princípios de integridade, como se observar na corrupção estatal, verifica-se, consequentemente, o impasse de adotar tais valores no manuseia de tecnologias que simulam o raciocínio humano. Dessarte, os entraves em aderir a ética em determinada área é apenas o reflexo de uma ação presente no corpo social.
Ademais, segundo o filósofo Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Nesse sentido, constata-se que o ensino representa o fundamento, o qual norteia a conduta do indivíduo no tecido social. Consoante a isso, a carência dos valores éticos e morais na sociedade dialoga com um ensino que não estimula a cidadania. Isso se deve pela prevalência da educação tecnicista nos ambientes escolares, dado que essa não se ampara na realidade que o indivíduo está inserido e nas problemáticas que o cerca, mas sim na formação de indivíduos competentes para o mercado de trabalho. Assim, uma didática pedagógica que não estimula o olhar crítico do ser humano faz com que os problemas sociais, como o impasse moral no uso IA, seja uma tônica desse população.
Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, cabe a esse órgão, mediante verbas públicas, traçar políticas que estimulam princípios de integridade no uso de Inteligência Artificial. Nesse viés, tais programas criarão palestras nas instituições escolares relacionadas ao comportamento do homem na sociedade, as quais serão lecionadas por sociólogos e filósofos, por meio de obras literários de Durkheim, a fim de ensinar aos alunos de que a ética e a moral em determinada área é reflexo de uma sociedade que adota esses valores nas diversas facetas que constitui o corpo social. Diante disso, com um ensino crítico, o homem conseguir-se-á utilizar de forma responsável os avanços tecnológicos.