Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 27/10/2020
O filme ‘Vingadores: a era de Ultron’, lançado em 2015, evidencia um mundo em que a inteligência artificial assume um caráter predatório e deseja extinguir a raça humana. Fora da ficção, a ideia de que máquinas hiperinteligentes podem, de fato, adquirir essa postura levanta debates éticos e morais sobre os possíveis perigos oferecidos por essas ferramentas. Destarte, é essencial destacar que o desemprego e a manipulação comportamental são impasses que precisam ser solucionados, a fim de garantir a coexistência pacífica entre homens e IA.
É sabido, antes de tudo, que as máquinas hiperinteligentes podem gerar escassez de empregos. A substituição da mão de obra humana por robôs resulta em desemprego tecnológico, gerando uma crise trabalhista, pois - desde a 3ª revolução industrial- os empresários perceberam que a automação é economicamente mais vantajosa, haja vista que as leis trabalhistas não abarcam as máquinas. Nessa perspectiva, Steve Jobs, magnata americano, afirmou que a tecnologia move o mundo. Entretanto, deve-se refletir sobre os perigos dessa mudança à humanidade, porque as novas técnicas podem criar uma realidade na qual a inteligência artificial ocupa todos os postos de trabalho .Consequentemente, o capital interno se reduzirá e a miséria poderá ser uma características intrínseca da população.
Além disso, convém destacar que a moldagem de comportamentos pode ser um impacto do uso de máquinas hiperinteligentes. De acordo com o livro ‘Vigiar e punir’, de Michel Foucault, a constante sensação de observação sobre as pessoas resulta na docilização dos corpos, de modo que estes passam a agir de maneira diferente da forma que gostariam. Nesse viés, a capacidade onipresente da inteligência artificial conseguirá controlar a conduta dos cidadãos, haja vista que não será possível ‘‘se esconder’’ desse observador invisível. Dessa forma, nota-se que o uso de sistemas ciberfísicos pode resultar em, além da censura, a violação da privacidade.
Torna-se claro, portanto, que a ausência de emprego e a padronização comportamental são impasses éticos que precisam ser solucionados para garantir que a tecnologia não prejudique a humanidade. A fim de conseguir isso, é fundamental que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em parceria com o ministérios da educação de cada país, ofereça programas sociais com o intuito de informar os cidadãos a se prevenirem contra as manipulações da máquinas, por meio de encontros semanais com profissionais da área, os quais -com o auxílio de oficinas e debates- ensinarão sobre o uso seguro das redes . Concomitantemente a isso, caberá aos Ministérios da Economia a disponibilização de salários mínimos às vítimas do desemprego estrutural. Dessa maneira, alguns impasses morais serão resolvidos e a tragédia do filme ficará restrita à ficção.