Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 16/10/2020
Assim como em uma história dos filmes de ficção científica, a Inteligência Artificial (IA) hoje faz parte da sociedade humana. Já existem carros com direção automática e se faz presente no cotidiano de várias famílias secretárias eletrônicas capazes de controlar as residências. Porém, a área da IA que está mais enraizada na atualidade envolve as redes sociais. Por meio de codificação inteligente, aplicativos adequam automaticamente suas interfaces aos gostos individuais, o que, embora pareça inofensivo, esbarra em barreiras éticas e morais pois essa prática trás malefícios à sociedade como a polarização e o radicalismo. Além disso, informações pessoais obtidas por meio do Big Data tem sido vendidas para fins políticos e comerciais.
Primeiramente, a IA usada em redes sociais vai de encontro à princípios éticos no que se refere a privacidade dos usuários causando malefícios como a polarização de ideias e a intolerância. Segundo o documentário “O Dilema das Redes Sociais” da Netflix - que contém entrevistas com ex funcionários da área de programação de empresas como Google, Facebook e Instagram-, os algoritmos utilizados permitem que apareça nas interfaces dos aplicativos apenas postagens relacionadas aos gostos individuais das pessoas. Essa prática tem criado uma onda de intolerância mundial (de via política, religiosa e até quanto opiniões diferentes) na medida em que os usuários diariamente são expostos apenas àquilo que concordam, desaprendendo a lidar com a diferença. Assim, evidencia-se a conduta antiética dessas empresas ao se importar apenas com sua rentabilidade em detrimento da ética.
Ademais, a partir da ferramenta de inteligência artificial chamada Big Data tornou praxe a obtenção de informações pessoais de usuários e a subsequente venda desses dados para fins comerciais, além da alavancagem de eleições com o uso da psicometria. Assim, a IA coleta informações de localização, tipos de compras na internet, histórico de navegação e até mesmo o comportamento offline dos usuários, permitindo que as empresas saibam qual o cliente mais propício a comprar seu produto. Outrossim, em eleições, como a de Donald Trump e a do Brexit, os dados dos usuários foram analisados por meio de psicometria, ramo da psicologia que estuda a susceptibilidade humana à manipulação. Portanto, é importante que se discuta quanto a ética da obtenção e uso de dados pela IA.
Por fim, a IA é uma ferramenta indispensável na comunicação social e midiática, porém, é necessário cautela quanto ao seu uso para que a privacidade de cada um seja respeitada, ou seja, deve-se haver ética. Para isso, é necessário que o Congresso Nacional crie e aprove leis quanto a regulamentação da IA em relação a privacidade dos usuários na internet. Assim, os usuários serão protegidos de possíveis manipulações e a internet se tornará mais segura e ética.