Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 14/10/2020
Com o advento da Terceira Revolução Industrial, caracterizada como Revolução Técnico-Científica-Informacional, a humanidade viu surgir o que seria denominado capitalismo financeiro, além de uma completa transformação tecnológica. Sob essa ótica, esse acontecimento engendrou o surgimento das inteligências artificiais, as IAs, que, hodiernamente, são muito utilizadas na programação de dispositivos eletrônicos, como os celulares. Entretanto, a população ainda se posiciona como óbice a esse avanço das inteligências artificiais, em virtude dos perigos que elas apresentam, seja na manipulação do comportamento de usuários das mídias sociais ou nos riscos que sistemas guiados por essas tecnologias apresentam.
Em primeiro plano, é imprescindível destacar o papel manipulador que essas tecnologias exercem na sociedade. De acordo com o documentário ‘‘O Dilema das Redes’’, as grandes redes sociais, por meio de suas inteligências artificiais, criam algoritmos que determinam o padrão de consumo de conteúdo dos indivíduos, de maneira a indicar-lhes sempre tópicos semelhantes ao seu padrão configurado e explorar o psicológico dos usuários. Por conseguinte, torna-se necessária a regulamentação do uso desses algoritmos, no que tange ao combate à exploração psicológica que é exercida pelas IAs.
Ademais, é fulcral pontuar a necessidade da criação de regras de segurança a respeito da atuação das inteligências artificiais. Segundo o dramaturgo Bernard Shaw, ‘‘o progresso é impossível sem que haja mudanças’’ e, portanto, mostra-se fundamental o estabelecimento de normas que assegurem o uso desses mecanismos. Não obstante, o que se mostra vigente é o oposto, haja vista que muitos acidentes ocorrem no uso desses aparatos, como ocorreu, nos Estados Unidos, o caso de um carro da marca Tesla, o qual possui piloto automático guiado por IA, que colidiu com uma viatura policial em uma rodovia, em julho de 2020, o que explicita os riscos que essas tecnologias podem gerar.
Face a tais impasses, infere-se que é de vital importância a regulamentação do uso dos mecanismos das IAs. Para tal, urge que a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da interferência nas políticas científicas mundiais, corrobore ao impedimento do avanço tecnológico e capitalista incessante das inteligências artificiais. Destarte, esse órgão mundial deve estabelecer restrições quanto ao uso indiscriminado dessas tecnologias, de modo a frear o seu uso manipulador pelas mídias sociais, além de estabelecer normas de segurança e de limitações ao uso desses dispositivos em modelos de carros, tais como os da empresa norte-americana Tesla. Com efeito, os riscos oriundos das IAs serão mitigados, de modo a tornar a sociedade mais segura e só assim, ter-se-á o progresso utópico definido pelo literato Bernard Shaw.