Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 15/10/2020
Para Sofócles, dramaturgo grego, nada grandioso entra na vida dos seres humanos sem uma grave consequência. Dessa forma, consoante ao pensador, o desenvolvimento das Inteligências Artificiais se mostra como a mais revolucionária das inovações tecnológicas e, com efeito, apresenta suas consequências durante esse processo. As limitações e os efeitos ao intelecto humano são alguns dos impasses éticos do uso da Inteligência Artificial.
Em primeiro plano, é fulcral pontuar que com o advento de tecnologias que simulam a inteligência humana, a própria definição do que é ser “ser humano” entra em crise. Realizar trabalhos manuais não é uma característica exclusiva de nossa espécie; assim como mostrado no livro “Sapiens” de Yuval Harari, a terceirização dessas atividades é comum desde a Antiguidade. No entanto, existem atividades atualmente que exigem características exclusivas dos seres humanos como: compaixão, sensibilidade e altruísmo - dentre elas a psicologia, o serviço social e o ato de lecionar - que não são realizáveis por inteligências não-humanas.
Em segundo plano, a dependência criada pela facilidade trazida pelo alto grau de inovação tecnológica se mostra cada vez mais retroativo. Atividades diárias que exigem raciocínio lógico e capacidade dedutiva são automatizadas a fim de obter maior conforto dos usuários. Todavia, o desuso do cérebro e a substituição dele pelas máquinas no desempenho dessas atividades leva à uma progressiva atrofiação de nossas capacidades e à regressão cognitiva.
Destarte, frente ao que fora apresentado, vê-se necessária medidas interventivas a fim de solucionar esses impasses. Para melhor aproveitar o progresso tecnológico urge que o Ministério da Saúde, obrigue as empresas à esclarecerem os reais efeitos da automatização das atividades humanas e promova a conscientização dos futuros trabalhadores quanto a atuação das IA’s no ambiente de trabalho. Somente assim, podemos desfrutar do nosso ápice tecnológico sem sermos seu refém.