Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 17/10/2020
No filme “Ela”, apresenta-se uma espécie de Inteligência Artificial em formato de voz humana que se relaciona com o protagonista e acaba criando um laço amoroso e estritamente virtual com este. Essa pode ser uma previsão do futuro que a Revolução 4.0 trará para a humanidade. Essas tecnologias podem acarretar em uma mudança avassaladora das relações humanas e ainda, trazer riscos para a continuidade do domínio dos homens no mundo, visto o pouco conhecimento sobre os limites desse novo tipo de ciência, o que se revela em obras cinematográficas desde o início do século XX.
Nesse contexto, como idealizado no filme “Ela”, a humanidade pode estar adentrando em uma revolução que existe não só nos modelos de produção e no desenvolvimento tecnológico, mas também na maneira em que as pessoas se relacionam. Como explicado pelo conceito de virtualização, de Piérre Levy, existe uma perda dos limites entre aquilo que é real e o que é virtual com as novas tecnologias de informação que se alastram pelo mundo. Isso já se evidencia hoje pelo aumento do número de aplicativos de relacionamento online, como o Tinder, e a Gatebox, dispositivo que simula uma namorada que permite interações inteligentes com o usuário e ainda obedece a comandos diversos. Dessa forma, explicita-se a gradativa redução das relações reais e o aumento da dependência humana às inovações tecnológicas.
Além disso, a preocupação ética acerca da discussão da Inteligência Artificial se estende aos limites que esse mecanismo possui. Segundo Elon Musk, CEO da Tesla e SpaceX, essa nova tecnologia, caso não seja regulamentada, se tornará uma ameaça para os seres humanos, posicionamento que é compartilhado por Stephen Hawking. Isso se sustenta na ausência de consciência moral que levam essas máquinas a tomarem decisões inteligentes, porém inadequadas, que podem acarretar danos irreversíveis ao ambiente e à vida das pessoas. Como no filme de 1968, “2001: Uma Odisseia no Espaço”, o protagonista, o computador HAL 9000, toma decisões imprevistas e autônomas que colocam toda a tripulação da nave em risco. Analogamente, a tripulação é a humanidade e os riscos são reais e produzidos pelas inovações nessa área da ciência.
Assim sendo, como sugerido por Elon Musk, é necessária uma devida regulamentação dos estudos nessa área de pesquisa e experimentação científica, tendo em vista os perigos que essas modernizações podem gerar no futuro humano. Isso deve ser feito pelo governo dos países em que empresas envolvidas atuam por meio da imposição de limites e fiscalização dos testes e normatização da comercialização de produtos tecnológicos. Para que, no futuro, os homens não tenham de lidar com as consequências graves dos riscos dessa ciência.