Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 17/10/2020

Na fábula “Pinóquio”, narra-se a história de um carpinteiro que cria um boneco que inicialmente é de madeira, e ao decorrer da narrativa se torna um humano capaz de se relacionar. Fora da ficção ocorre algo semelhante, a vida imita a arte. Com o advento das tecnologias tornar algo inanimado capaz de cumprir  tarefas e afins não se restringe mais a obras ficcionais, e vem se tornando motivo de questionamento e discussões devido aos impasses éticos e morais sobre o uso da inteligência artificial. Desse modo, cabe-se analisar o despreparo estatal e as empresas de pesquisas e seus objetivos em relação as novas formas de interações tecnológicas.

Nesse sentido, em primeiro plano, cintila uma esfera governamental que não ampara a população. Na ótica de Steve Jobs, a tecnologia move o mundo. De fato, tal pensamento é uma constatação, todavia, no Brasil com o acesso tecnológico precário à inovação esse dito “mover” não chega efetivamente para a população em massa, com o advento de Inteligencia artificial se torna real as substituições de inúmeros postos de trabalhos, sobretudo em atividades que possuem menos prestigio e formações. Decerto, o desamparo aliado a falta de investimentos em qualificação profissional torna o ser humano vulnerável pela era da “revolução das máquinas”.

Outrossim, as empresas de pesquisas e ciências devem estabelecer limites éticos. As vencedoras do prêmio Nobel de Química 2020 ganharam reconhecimento após apresentarem uma maneira de modificar o DNA humano, podendo assim selecionar características. Apesar da descoberta, as consequências são questionáveis, pois se questiona até onde se deve alterar o curso natural da vida. De maneira análoga, ao se observar a inteligencia artificial, indaga-se quais são os seus limites, até onde os avanços podem ser benéficos e não catastróficos. Na verdade, estabelecer o limiar de harmonia e limitação entre a humanidade e os algoritmos é fundamental para a manutenção da vida.

Repensar sobre os impasses éticos e morais do uso da Inteligência artificial, portanto, é algo que não cabe mais protelação. Desse modo são necessários dois agentes emergenciais: o Ministério da Educação e as Empresas cientificas. Ao primeiro cabe englobar na grade da educação básica disciplinas que se relacionem o mundo digital, através  de aulas interativas. Ademais, ao segundo agente, cabe estabelecer produtos que visam auxiliar a vida humana e não substitui-las, com protocolos rígidos de testes com objetos ou sistemas que venha ao mercado, testando-os efetivamente antes da comercialização. Desse modo, tais ações visam fazer da tecnologia uma aliada para as relações sociais e laborais, sem substituir a humanização. Assim algo inanimado ganhando vida se restringirá as fabulas infantis.