Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 19/10/2020
Thomas More, por meio do livro “utopia”, narra a realidade de uma ilha fictícia onde não havia qualquer tipo de problema e beirava a perfeição. Hodiernamente, o Brasil se mostra distante da idealização de More, principalmente, quanto às dificuldades éticas da aplicação da inteligência artificial. Destarte, cabe analisar tanto o teor de receio e tabus que cercam a temática, quanto, a ampliação da desigualdade social como fatores que envolvem esse cenário fatídico.
A princípio, deve-se analisar a mentalidade arcaica dos brasileiros que tratam o assunto com certa desconfiança e rejeição. Essa ideia faz analogia ao pensamento de Paulo Freire, o qual conceitua tabu como ideias que cercam a liberdade individual e social, não permitindo transgressão. Assim sendo, pode se inferir o impasse da evolução de inteligências artificiais cultivado pela própria sociedade, da qual esta em discordância sobre o assunto.
Outrossim, é imprescindível salientar que as dificuldades econômicas do país impedem que todos possam ter acesso à inteligência artificial. A partir dessa conjuntura, o filósofo Pierre Levy afirma que “toda nova tecnologia cria seus excluídos”. Logo, pode se trazer à luz ao pensamento crítico de que as classes mais privilegiadas se destacarão no consumo de novas tecnologias e como consequência haverá segregação daqueles impossibilitados de consumir determinado produto.
Urge, portanto, necessidade de mudança desse cenário nefasto. Para atingir a plenitude nesse âmbito, cabe a mídia, por meio de propagandas televisivas e nas redes sociais, abordar a importância dos aprimoramentos tecnológicos e os benefícios que irão surgir. Ademais, é dever do Ministério da economia, através de verbas estatais, criar programas que auxiliem indivíduos de baixa renda a adquirir aparatos de tecnologia artificial. Quem sabe assim, o Brasil se assemelhe mais com a idealização utópica de More.