Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 20/10/2020

O desenvolvimento de sistemas preditivos capazes de tomar decisões baseadas em diversas variáveis representa o grande avanço do intelecto humano. Atualmente, esses sistemas são responsáveis por controlar aspectos mais sensíveis da vida humana, como selecionar informação que vão ser vistas em uma página da internet e a manipulação dos usuários da rede. Dessa forma, forma cabe o questionamento acerca dos problemas éticos e morais escondidos atrás de linhas de código.

Primeiramente, é imprescindível salientar que o que é visto na internet tem um grande impacto na forma como se enxerga a realidade. Ou seja, o uso de algoritmos que decidem o que vai ser o não mostrado em uma página da internet baseados somente em variáveis de interesse econômico se mostra prejudicial a liberdade de pensamento dos usuários. O documentário “O Dilema das Redes” revela como grandes empresas de tecnologia utilizam inteligência artificial e aprendizado de máquina para manter as pessoas por mais tempo utilizando seus serviços. Além disso, rastreando o comportamento dos utilizadores, essas grandes companhias conseguem prever a personalidade de uma pessoa e lhe mostrar uma propaganda que seja mais conveniente, de forma totalmente personalizada. Nesse sentido, percebe-se que há uma manipulação do usuário pelo controle de dados com o uso de softwares inteligentes.

Outrossim, da mesma forma que que padrões de consumo podem ser modeladas através do processamento de dados o mesmo pode acontecer com opiniões políticas. Por exemplo, a rede social Facebook foi condenada na justiça norte americana por ter vendido dados de milhões de usuários para a Cambridge Analityca. Essa empresa de comunicação estratégica utilizou esses dados para mostrar propagandas políticas a eleitores com base em seu comportamento na internet e tal fato teve grande influência nas eleições dos Estados Unidos em 2016. Diante dos exposto, percebe-se que o uso de algoritmos inteligentes, que não têm padrões de moral ou ética, para controlar aspectos tão importantes da sociedade deve ser moderado.

Depreende-se, portanto a criação de um marco regulatório para o uso de inteligência artificial. Tal ferramenta deverá ser discutida por todos os países, por meio de conferências da ONU. Essas reuniões deveram contar com a presença de especialistas no assunto com o objetivo de criar uma legislação uniforme e aplicável no mundo todo, visto que tais tecnologias não têm barreiras geográficas. A sua finalidade será supervisionar e limitar o mau uso da de sistemas inteligentes. Quiçá assim, o impasses éticos e morais do uso de inteligência artificial poderão ser superados a longo prazo.