Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 20/10/2020

Diante das inúmeras situações vivenciadas pela sociedade hodierna, cumpre ressaltar os transtornos referentes ao uso da Inteligência Artificial, visto que o uso crescente dessa tecnologia fomenta o aumento de casos tanto de manipulação, quanto de desemprego. Para tanto, urgem atos mais enérgicos da sociedade civil, concomitantemente, com o Poder Público, com o escopo de amortizar esse imbróglio da realidade dos cidadãos.

Nessa perspectiva, é mister destacar o acesso de dados pessoais por grandes empresas como um fator relevante no cenário da manipulação dos indivíduos. Essa conjuntura foi dissertada no documentário “ O Dilema das Redes”, da plataforma de Netflix, uma vez que vários ex-funcionários de grandes multinacionais, como o Facebook, exemplificaram como as informações cedidas pelos usuários são utilizadas pelo logaritmo seja para mantê-los mais tempo conectados, seja para incentivar o consumo de determinado produto. Ademais, constata-se que houve deturpação da função proposta inicialmente devido a necessidades mercadológicas. Logo, é fundamental a execução de medidas, objetivando amenizar essa problemática.

Ainda, sob esse mesmo viés, é válido analisar que o uso da Inteligência Artificial pode influir diretamente no desemprego estrutural que, por sua vez, caracteriza-se pela substituição dos indivíduos por máquinas. É possível estabelecer um paralelo com a Revolução Industrial, é pois a inserção da maquinofatura em detrimento da manufatura teve como consequência direta o crescimento nos índices de desemprego. Hodiernamente, o aumento do número cidadãos sem emprego é preocupante, principalmente, em razão da ampliação das diferenças socioeconômicas já significativas, a medida que segundo pesquisas do IBGE, cerca de 10% dos mais ricos detém cerca de 40% da renda nacional. Dessa forma, é essencial que realizações sejam implementadas para reverter esse percalço.

Portanto, é perceptível a necessidade de ações mais contundentes em prol da ética e da moral no contexto do uso da Inteligência Artificial. Para isso, faz-se fundamental que o Poder Público, por meio do Ministério da Educação em parceria com a Pasta da Tecnologia, promova nas instituições periodicamente mesas-redondas e palestras, ministradas por profissionais qualificados, como professores de informática, tendo como público-alvo os estudantes e seus respectivos núcleos familiares, tendo como o fito alertar acerca da importância do senso crítico para evitar a exposição exagerada de informações pessoais e, consequentemente, a manipulação do indivíduo. Além disso, é interessante que ocorram incentivos fiscais para empresas que possuam baixos índices de desemprego,por exemplo. Apenas assim, poder-se-á minimizar os impactos da Inteligência Artificial.