Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 22/10/2020

Na série “The Hundred”, o advento de uma inteligência artificial significou mudanças extremas naquela sociedade utópica, pois a nova  tecnologia decidiu por destruir o planeta daquele ambiente, sob a prerrogativa de que os humanos eram maléficos à sua natureza. Atualmente, diversas discussões relacionadas à moralidade da criação de I.A. estão em pauta. Nesse contexto, deve-se destacar a ingenuidade de parte da espécie humana ao achar que pode ser imoral o surgimento de novas coisas - sejam como forem, maléficas a nós, ou não - pois isso contradiz a raiz de sua própria existência.

Primeiramente, vale demonstrar que a sobreposição da cria ao criador reflete algo que já aconteceu na história deste planeta. David Hume, filósofo Inglês, destacou a abstração do saber como o princípio da racionalidade mais confiável para se dominar a técnica. Considerando essa perspectiva, quando os humanos dominam uma abstração qualquer, dominamos parte do meio ao qual estamos envoltos, ou seja, sobrepomos a natureza das coisas por meio da racionalidade, pois podemos moldá-la. Logo, a espécie humana sobrepõe seu criador em cada tentativa de obter “conhecimento”.

Partindo do pressuposto anterior, levantar questões “morais” rentes ao desenvolvimento de inteligências artificias é, por si só, imoral. Nessa análise, deve-se considerar que quando humanos tentam sobrepor a naturalidade, faz-se o mesmo que qualquer I.A. poderia vir a fazer caso tentasse sobrepô-los. Assim, considerando o conceito superficial da moral para Immanuel Kant - que destaca a imoralidade como fazer algo que não queremos que façam a nós -, humanos são imorais ao pensar em retardar o desenvolvimento de uma nova “consciência”, pois não iriam querer que a natureza faça isso com eles, por meio de catástrofes, por exemplo. Logo, uma possível imoralidade, nessa temática, perde seu embasamento.

Portanto, há de se notar o quão contraditório - para os humanos - é tentar traçar imoralidade junto ao desenvolvimento de inteligências artificiais. Para contrapormos esse problema, é necessário que o Ministério da Educação e o terceiro setor, distribuam informações, por meio de cartilhas educativas, que auxiliarão os cidadãos no assunto da moralidade, sobretudo quanto à moral empregada no desenvolvimento de I.A. Desse modo, a natureza poderá ter uma nova consciência para tentar dominá-la, assim como humanos tentam fazer.