Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 23/10/2020
A partir dos anos 1970, com as consequências advindas da Segunda Guerra Mundial, se intensificaram os debates morais relacionados aos perigos gerados pelo avanço científico e tecnológico, o que levou ao surgimento da Bioética, que estuda os princípios éticos ligados à integridade da vida humana. Nessa perspectiva, atualmente, essas considerações filosóficas seguem sendo um impasse no campo técnico de desenvolvimento de Inteligências Artificiais (IA’s). Sob esse viés, é importante ponderar as possíveis complicações advindas dessas modernidades e compreender a falta de conhecimento da sociedade sobre tais dilemas como um empecilho para sua implementação.
Isto posto, é importante ressaltar, primeiramente, que o progresso científico leva em consideração as consequências causadas pelo uso desenfreado das IA’s. Nessa análise, o filósofo Hans Jonas escreve sobre o Princípio da Responsabilidade, o qual se refere ao compromisso que os desenvolvedores de inovações tecnológicas devem assumir pela preservação da vida humana. Sob essa ótica, observa-se que o aprimoramento automático, empregado no desenvolvimento de máquinas superinteligentes, pode ultrapassar o nível de controle humano, o que deixa a população vulnerável às falhas que esses sistemas podem cometer. Dessa maneira, percebe-se a importância de tais discussões no campo da moral, assegurando o desenvolvimento cauteloso desses recursos.
Além disso, o desinteresse das pessoas sobre as questões morais ligada às IA’s também se torna um obstáculo. Nessa conjuntura, o biofísico Henri Atlan, autor de artigos no campo da bioética, explica que os progressos tecnocientíficos são percebidos em alcance global, porém, indivíduos se comportam segundo valores e normas que as sociedades herdaram de suas histórias e de antigas tradições. Nesse sentido, em muitos países, a histórica falta de investimentos para o desenvolvimento tecnológico e o cultural desinteresse da população para com assuntos no campo da ética fazem com que tal questão seja pouco debatida em instituições nacionais. Portanto, os critérios necessários para a criação de sistemas cibernéticos não são corretamente discutidos e isso é um impasse para seu uso.
Diante disso, é necessária a melhora da educação básica da sociedade. Nesse aspecto, para que os indivíduos adquiram os conhecimentos técnicos - para a compreensão alicerçadora do funcionamen-to dessas tecnologias artificiais - e os filosóficos - para um debate concreto sobre os perigos gerados por essas ferramentas -, é preciso que as escolas realizem discussões e palestras sobre o tema da éti-ca no desenvolvimento de IA’s. Tal medida deverá ser feita por meio de parcerias com as universida-des, que possui profissionais capacitados para o ensino de ambas as questões. Dessa forma, haverá uma maior base de conhecimento e um debate mais aprofundado e correto sobre o assunto.