Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 24/10/2020

Consoante aos pensamentos do antropólogo Claude Levi – Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais. À vista disso, em 1516, na obra ‘’ Utopia’’, o escritor inglês Thomas More se destacou no campo literário ao narrar uma coletividade coesa e equitativa. Não obstante, no Brasil, percebe-se o contrário da obra, como as consequências da inteligência artificial, que tem como alicerce não somente os impasses éticos, mas também a desvalorização da atividade humana. Nesse ínterim, é fundamental buscar a resolução desse imbróglio.

Em primeiro plano, é necessário ressaltar que as palavras presentes na bandeira do país- ordem e progresso - retratam os objetivos de uma nação. Por isso, para avançar, é imprescindível que ocorram ações baseadas no bem-estar geral. Entretanto, a realidade é justamente a oposta e o resultado é refletido nos conflitos ocasionados pela negligência social. Por conseguinte, após a intensificação da terceira revolução industrial, surgiu o método da inteligência artificial, que busca construir mecanismos que simulem a capacidade humana, inúmeros são os problemas enfrentados pelo corpo social, haja vista que impõe deveres éticos. Dessa forma, é evidenciada uma notória necessidade de medidas para mitigar esse aspecto negativo, com foco em priorizar a integridade humana.

Ademais, faz-se mister, ainda, salientar que o déficit de políticas públicas é um grande impulsionador da adversidade. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da modernidade líquida vivida no século XXI. Nesse contexto, com o fortalecimento da inovação tecnológica, dispositivos que computam e se conectam proporcionaram a complexidade na substituição do homem físico, pela inteligência artificial. Diante de tal, a situação expõe um lúgubre cenário na pátria, ao qual o ser humano é torpemente responsável. Dessarte, medidas precisam ser tomadas para que haja harmonia social entre o meio tecnológico e o senso comum.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Desse modo, é peremptório buscar meios de mitigação desse mal. Para isso, cabe ao Poder Executivo – instituição de alta relevância para o país-, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicação, promover o investimento em avanços que beneficiam os seres humanos e que possa frear com a desigualdade social, por meio de verbas governamentais, com intuito de gerar novos empregos, no ambiente público e privado. Assim, a partir dessas ações, será possível voltar à Utopia e garantir uma visão inovadora para o nosso cotidiano.