Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 27/10/2020
A série norte-americana “Black Mirror” mostra, ao decorrer da trama, como os sistemas de inteligência artificial facilitaram a vida do ser humano em diversos aspectos, otimizando as tarefas diárias. Nesse sentido, fora da ficção a tecnologia tem progredido de maneira exponencial. No entanto, apesar dos incontáveis benefícios, o uso da I.A pode criar impasses éticos e morais, além de de trazer risco à humanidade. Isso se deve, essencialmente, da manipulação comportamental advinda desses sistemas, bem como de uma negligência estatal que garanta uma exposição segura dos indivíduos.
Em primeiro plano, é importante destacar que, em função das novas tecnologias e da praticidade das mesmas, as pessoas estão cada vez mais expostas a uma gama ilimitada de dados que podem manipular suas ações de maneira inconsciente. Nesse contexto, o filme Matriz retrata um sistema inteligente e artificial que manipula a mente das pessoas e cria a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos manipulados para produzir energia. Analogamente, é possível perceber tal manipulação, uma vez que os usuários permitem a exposição de dados pessoais nas redes de informação, não se preocupando com a restrição de autonomia diante dos dispositivos inteligentes, permitindo que moldem suas opiniões. Dessa forma, a inteligência computacional se comporta como controladora de uma sociedade, o que confronta os princípios éticos e morais da humanidade.
De outra parte, é preciso pontuar a ausências de intervenções governamentais frente a segurança das exposições aos sistemas de I.A. A esse respeito, foi promulgada, no Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, a qual garante, sobretudo, a segurança dos indivíduos expostos na internet. Porém, taus normas são incapazes de amenizar o uso indevido de inteligência artificial, tendo em vista que a ausência de algoritmos que detectam irregularidades permitem que a privacidade do usuário seja exposta. Consequentemente, os mecanismos de captação de dados deturpam a moral do cidadão devido ao armazenamento ilegal de informações.
Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes que detalham o funcionamento dos sistemas de inteligência artificial e adivirtam os internautas do perigo da manipulação, sugerindo aos mantenham a autonomia sobre os aparelhos de I.A. Ademais, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve, através de plataformas digitais, desenvolver algoritmos que notifiquem os usuários da utilzação de suas informações e solicite a autorização para a tarefa, garantindo a plena segurança dos internautas.