Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 28/10/2020

Confúcio, filósofo chinês, afirmou certa vez que o pessimismo torna os homens cautelosos, enquanto que o otimismo torna os homens imprudentes. Quando nos deparamos com debates nas redes e até mesmo de influenciadores da sociedade no mundo globalizado sobre a ética e moral envolvida na tecnologia, nos deparamos, muitas das vezes, com dois extremos: Aquele que é otimista em relação a inteligência artificial (IA) e o outro que é pessimista. Nos dois opostos, vemos o problema: Individuação da IA, não como ferramenta, e, sim como ser.

Carl Jung, psiquiatra alemão, discursou durante sua vida sobre o que ele acreditava ser o caminho natural pelo qual o indivíduo se adquire uma consciência de ser, ou seja, possui conhecimento de si e o que é. A questão ética que envolve o extremo pessimista é nada mais que uma forma de tentar reconhecer uma humanidade inexistente naquilo que é apenas códigos de programação em uma máquina, pelo simples fato dela poder realizar tarefas humanas, e, por conseguir tal feito, parecer humana.

Outrossim, otimistas não fogem da incoerente visão, já que pensam que a partir da introdução massiva das IA’s na vida cotidiana, passariam a ter uma vida melhor devida ao constante auxílio das máquinas, o que por si também geraria um problema: até onde o ser humano passaria a depender de tecnologia no futuro? Depender totalmente de máquinas até mesmo para se reconhecer como indivíduo não traria problemas éticos sobre o que seria de fato o indivíduo e a perca generalizada do processo de individuação não seria o principal problema moral das IA’s?

As IA’s serão ferramentas para uso humano, porém depender totalmente delas e individualizar máquinas como parte do todo da humanidade seria um problema ético e moral de uma sociedade que perderia a capacidade de seus integrantes se reconhecerem como indivíduos portadores de consciência e de razão, indivíduo tal que sabe o que é, e que possui função na sociedade.

Concluindo, problemas éticos e morais são consequências de causas, e essas são diversas. Quando as causas não existem, e são, na verdade, frutos de especulações de indivíduos que individualizam máquinas como seres pensantes, quando não são, retrata problemas de reconhecimento do que seria real do imaginário por falta de conhecimento ou de noção de realidade. Dessa forma, para contornar problemas éticos e morais no futuro pelo abuso de máquinas, ou, pelo uso inadequado delas, é necessário que o governo invista na educação tecnológica da população, para que ela entenda sobre as ferramentas e tecnologias que são usadas e criadas, para benefício e o usufrutuar da mesma, em suas diversas áreas, incluindo a segurança do ambiente virtual e de seus dados.