Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 30/10/2020

Confúcio, filósofo chinês, afirmou que o pessimismo torna os homens cautelosos e o otimismo os deixa imprudentes. É frequente o debate nas redes sociais e até mesmo de influenciadores da sociedade no mundo globalizado sobre ética e moral quando o assunto é tecnologia, percebendo-se de imediato dois extremos: Um lado que é otimista em relação a inteligência artificial (IA) e o outro que é pessimista. Nos dois lados, encontramos o problema em comum: Individuação da IA como um ser.

Carl Jung, psiquiatra alemão, discursou durante sua vida sobre o que ele afirmava ser o caminho natural pelo qual o indivíduo adquire uma consciência de ser, ou seja, possui conhecimento do que é perante a sociedade e sobre si. A questão ética que envolve o extremo pessimista é reconhecer na IA uma humanidade, um indivíduo, quando na verdade se trata de uma ferramenta tecnológica humana, quando, na verdade, só possui semelhança no que se diz respeito em realizar tarefas humanas e ser possível interação com a máquina, como se ela tivesse consciência, sendo que não passa de códigos de programação, logo, o problema existente se torna em um de reconhecer de fato o que é a máquina, suas funções e sua limitação pelos pessimistas.

Outrossim, otimistas também demonstram possuir uma visão errônea a respeito da tecnologia. A introdução massiva da IA e maquinários modernos na vida cotidiana dos indivíduos num futuro próximo pode gerar uma dependência tecnológica gradativa do ser humano, onde a perca do processo de individuação por conta dessa alta dependência é uma provável possibilidade, gerando, assim, pessoas que não se veem como indivíduo tendo ausência de tecnologia, quando o saudável seria reconhecer-se como ser e utilizar da modernização das ferramentas para facilitação da vida cotidiana, não dependendo de tais recursos, e sim utilizando-os. Além da perca da individuação, transtornos psiquiátricos e psicológicos, tais esses vistos no presente em pessoas com quadro de transtorno de personalidade dependente, se tornarão comuns paulatinamente, a partir do reconhecimento da máquina como substituto para as pessoas que rodeiam o dependente.

Diante do exposto, caracterizar a máquina como ser, por fazer funções parecidas, quando é apenas ferramenta programada, é onde começa o problema ético e moral visto na IA, tanto para os que evidenciam mais desconforto com a ideia de massificação dessa tecnologia, os pessimistas, quanto para os que veem como parte da evolução da sociedade humana, os otimistas. Para contornar os problemas éticos e morais, o governo federal deve investir em educação tecnológica da população para que ela usufrutua da tecnologia em suas áreas, seja na área da segurança de dados, ambientes virtuais e  para desmistificar a falsa imagem de indivíduo que as pessoas adquirem da IA.