Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 31/10/2020

A tênue linha entre o sucesso e o fracasso

A série britânica Black Mirror, que pode ser encontrada na Netflix, apresenta uma realidade futura onde a natureza humana e a tecnologia se encontram em diversos momentos. Há episódios de robôs que simulam memórias e personalidades de pessoas já falecidas, até de chips cerebrais que vigiam e controlam as experiências infantis. Relacionando a série com a atualidade, o desenvolvimento da tecnologia proporcionou conquistas inimagináveis, porém as consequências destas conquistas encontram-se  muitas vezes além da compreensão humana. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial.

Durante a Segunda Guerra Mundial o interesse por máquinas que substituíssem não apenas o trabalho manual, como também o mental, passou a ser objeto de interesse de muitos cientistas. Dessa maneira, com os avanços de pesquisas e estudos científicos, atualmente já é possível realizar uma série de atividades por meios tecnológicos - análises, previsões, diagnósticos, cirurgias, estudos espaciais ou em lugares remotos e automação de dados - . Consequentemente, assim, mudando hábitos de vida, o meio social, o âmbito profissional e influenciando uma nova cultura. Entretanto, mesmo com avanços importantes, há limites que ainda precisam ser estabelecidos, limites éticos e morais, que garantem os direitos de cada ser.

Salienta-se, ainda, que o avanço tecnológico rápido e desordenado, provoca  insuficiência legislativa, banalização da privacidade e a fácil manipulação e controle de dados. Além disso, muitas vezes o próprio usuário e consumidor do produto não tem consciência dos riscos que os aparelhos podem acabar acarretando. O empresário e co-fundador da indústria Apple afirma “a tecnologia move o mundo”, todavia não é possível afirmar com certeza para qual direção a humanidade está se movendo, pois lidando com o desconhecido, existe uma linha muito tênue entre o sucesso e o fracasso, entre a euforia com novas descobertas e o impasse de valores éticos e morais.

Infere-se, portanto, que a Inteligência Artificial possui grande capacidade de proporcionar avanços para a humanidade, porém se faz necessário mitigar os efeitos antiéticos da mesma. Para resolver a problemática, é preciso que o Ministério da Ciência e Tecnologia imponha às empresa a obrigatoriedade de algoritmos  que alertem os usuários sobre o uso de seus dados, garantindo segurança e autonomia pessoal. Além de em parceria com o Ministério da Educação, por meios de palestras e projetos, promover a democratização da informação sobre os impactos da tecnologia na atualidade, com o propósito do desenvolvimento do pensamento crítico e do desenvolvimento integral da nação.