Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 09/11/2020

Conforme o conceito desenvolvido por Klaus Schawab, a Quarta Revolução Industrial é caracterizada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas. É nesse cenário que a Inteligência Artificial ganha destaque. No entanto, apesar dessa tecnologia já fazer parte da sociedade contemporânea, os possíveis impactos advindos do seu uso em larga escala ainda são desconhecidos. Portanto, é essencial compreender e encontrar soluções para os conflitos éticos e morais que permeiam o uso da Inteligência Artificial, visando aliar o desenvolvimento tecnológico aos interesses da sociedade e preservar os direitos básicos dos indivíduos, assegurados pela Constituição de 1988.

Em primeiro lugar, o uso indevido da Inteligência Artificial pode ser responsável pelo fortalecimento e pela consolidação de preconceitos existentes na sociedade, bem como a ascensão de regimes totalitários. Isso porque, as máquinas, ao serem desenvolvidas pelo homem, podem incorporar seus valores e convicções. Tal fato mostra-se preocupante, uma vez que abre espaço para a formação de uma sociedade análoga àquela presente na distopia “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, isto é, uma sociedade que usa o poder da tecnologia e do culto ao progresso para reprimir e controlar a população conforme os interesses de determinados grupos sociais.

Por outro lado, da mesma forma que a Inteligência Artificial pode ser extremamente benéfica do ponto de vista da medicina e da segurança pública, por exemplo, ela pode também agravar questões como a desigualdade social. Dessa forma, a robotização e a substituição da mão de obra pelo uso das tecnologias inteligentes poderão agravar os efeitos do desemprego estrutural e da exclusão digital, que, de acordo com pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, já afeta mais de 30% dos brasileiros.

Logo, é fundamental que medidas sejam tomadas para promover o uso ético da Inteligência Artificial. Assim, o Ministério da Ciência e Tecnologia e o poder legislativo devem ser responsáveis por criar normas para o desenvolvimento e uso da Inteligência Artificial, buscando preservar os direitos humanos e impedir a perpetuação de preconceitos presentes na sociedade. Para isso, deve haver a fiscalização das tecnologias inteligentes, além da participação popular em debates sobre o assunto, de forma a garantir que os interesses da população estejam de acordo com os valores passados para as máquinas. O Ministério do Trabalho, por sua vez, deve ser responsável por regulamentar e fiscalizar as novas relações de trabalho, oferecendo incentivo às empresas que aliarem o uso das novas tecnologias à manutenção da mão de obra, com o objetivo de evitar o agravamento da desigualdade social. Somente assim será possível superar os desafios éticos e morais do uso da Inteligência Artificial.