Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 03/11/2020

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês , a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas. São características da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Os impasses éticos e morais no uso de inteligência artificiais (IA), refletem essa realidade que persiste não apenas pelos desprovimentos governamentais, mas também pela esfera educacional.

A priori, as Inteligências Artificiais –como o próprio nome já sugere– criam questões de natureza filosófica, uma vez que geram o debate sobre o que define uma consciência. No jogo eletrônico “Overwatch” essa mesma questão gera um conflito entre Robô e Homem, onde o primeiro adquire inteligência suficiente para conceber sua própria existência e clama, assim, por igualdade. Tal assunto também é debatido pelo matemático Alan Turing, o qual desenvolveu um método conhecido como “Teste de Turing”, que tem por objetivo discernir uma consciência humana de uma artificial. No entanto, nem Turing ou mesmo Asimov, entram no mérito de como evitar que tamanho nível de desenvolvimento tecnológico surja. Presume-se, então, que seja apenas uma questão de tempo.

A indagação que fica é: se o campo da inteligência artificial remonta a 1956, quando John McCarthy cunhou o termo, por que a questão ética está na pauta nos últimos anos? Engana-se quem acha que isto não é relevante, visto que os algoritmos de inteligência artificial estão interferindo em um conjunto amplo de atividades, na sua grande maioria sem transparência. Com o aparecimento do machine learning, tecnologia proporcionada pelo big data, no qual o computador “aprende” e “pensa” a cada interação, esta relativa autonomia conquistada pelas máquinas coloca para a sociedade temas éticos e a necessidade de se estabelecer arcabouços legais, deixando nada mais atual do que a expressão de Decartes: “Penso, logo existo”. Em termos técnicos é dizer que ocorre uma incorporação de algoritmos que permitem que o computador transforme essas informações em experiências novas.

Depreende-se, portanto, que o mau uso da inteligência artificial é um mal para a comunidade brasileira. Desse modo, cabe ao Poder Legislativo criar leis que visem equalizar o trabalho com os humanos e robôs, as quais devem impedir as empresas de utilizarem apenas as máquinas, no intuito de amenizar o desemprego estrutural. Além disso, é dever do Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, criarem vídeos curtos e dinâmicos para serem exibidos em plataformas de streaming de vídeo, os quais esclareçam a população acerca desses algoritmos, com o fito de conscientizar os cidadãos sobre a invasão de privacidade e o controle de dados promovidos pelos computadores. Assim, poder-se-á amenizar as dificuldades enfrentadas pela inteligência artificial.